Na Grande Área - Armando Nogueira
A produtora inglesa Pearson Television está fazendo um vídeo de 13 horas sobre a história do futebol. O Brasil entra, com destaque, em mais de um capítulo do seriado que se chamará History of Football, the Beautiful Game. Fui ouvido pelos enviados especiais. Entre tantos assuntos da entrevista, me perguntam de Leônidas da Silva. Falo com entusiasmo, embora não tenha visto o nosso herói no esplendor. Quando o vi, Leônidas já estava no poente da carreira. Lembro-me dele, um pouco, na seleção paulista e muito menos, ainda, na seleção nacional, já sem o viço e o fulgor da juventude.
Os ecos de Leônidas aí estão, até hoje, perpassando os tempos, 50 anos depois de ter ele deixado a cena dos campos. Volta e meia, eis que a aura do craque ressurge, emoldurando um gol de bicicleta, soberbo invento de sua lavra. Quem não viu o gol de Dill, o atacante do Goiás, sábado passado, contra o Fluminense? Vi e, revi o lance, maravilhado. É uma peça rara, como todos os rigores de uma obra prima: agilidade felina, coordenação neuro-muscular, presença de espírito, ousadia e precisão. Tudo perfeito.
O gol de bicicleta é um prodígio de flexibilidade, de harmonia. Tem o clarão dos gestos acrobáticos que lembram a arte da dança e as vertigens do circo. Desconfio que Maurice Bejart teria gostado de incorporar à sua coreografia a alta carga de emoção e fascínio de um salto mortal às avessas que torna mágico um gol de bicicleta.
Em cada novo gol de bicicleta que vejo, revejo, em pleno ar, a vertiginosa melodia corporal de Leônidas da Silva.
A hora da verdade





