Na Grande Área - Armando Nogueira
Romário acertou na mosca, quando disse que bom treinador é o que não atrapalha. Esperamos, pois, que o técnico Leão não se meta a inventar modas e nós táticos pra mudar a cara da seleção. Que, por sinal, precisa mudar, sim, mas é na alma. Esse, o desafio que aguarda o novo treinador da equipe nacional.
Leão, que tem um inegável corte de líder, deve ter visto como era desconjuntada a seleção sob o comando de Luxemburgo. Desconjuntada e sem viço, sem brilho, sem graça uma garapa.
A lista de convocados não trouxe surpresas, a não ser o nome do jovem Adriano, do Flamengo, e o do Mineiro, volante da Ponte Preta. Na verdade, não existe, como se apregoa, uma fartura de craques no futebol brasileiro. A carência já é antiga, bem antiga. O Brasil, hoje, nivela-se à Argentina, à Itália, a Portugal, à França, à Holanda, etc... todos têm muito jogador e pouco craque. Supercraque, a meu ver, nenhum. Por exemplo: quem, por aí, merece um lugar na galeria de Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Didi, Maradona, Beckenbauer, Di Stéfano, Cruyff, Eusébio? Citei nove, poderia ter ampliado a lista, relembrando jogadores que fizeram a glória do futebol. Hoje, só um jogador em atividade tem dimensão excepcional, que é Romário, de cujo futebol logo logo estaremos sentindo saudades.
Leão, como qualquer um de nós, sabe que os milhões de dólares das pomposas transferências não exprimem, senão, a grossa especulação de empresários que juntam as pontas de escabrosas transações entre clubes de cá e de lá. Aliás, as duas CPIs certamente vão poder comprovar, com ajuda do Banco Central, quanta patifaria se pratica, há anos, no comércio de jogadores entre o Brasil e a Europa.
Quantos Evanilsons não saíram do Brasil, vendidos a peso de ouro, sem que até hoje tenham demonstrado em campo um pingo de talento?
A Seleção Brasileira, tudo faz crer, tem sido usada como vitrine pra valorizar jogadores de meia-tigela. E é essa fase tenebrosa que queremos ver devassada pelo Congresso Nacional.
Na hora em que a seleção passa a novo comando, a opinião pública do futebol espera que Leão e seu supervisor Lopes refaçam a cabeça dos jogadores, injetando-lhes uma dose respeitável de ânimo, de espírito de luta, de apreço pela camisa-símbolo de um futebol que se já não é o melhor do mundo, pelo menos, tem o dever de tentar voltar a ser. Afinal, assim diz e prova a sua admirável história.
Calvário de Luxemburgo





