SYDNEY – Digamos que o amigo leitor não foi ao ginásio, nem viu na TV, ao vivo, o jogo de basquete entre Brasil e Austrália. Deixou pra mais tarde. Mais tarde, aparece o vetê do jogo na tevê e ocorre, simplesmente, isto: meninas da Austrália derrotando as nossas por 50 a zero. As brasileiras não fizeram uma única e mísera cesta. Pelo menos, na marota edição de imagens feita pela tevê oficial dos jogos, o Canal 7.
É assim que a televisão australiana está vendo os Jogos Olímpicos. O rival não existe. A seleção de lances ignora soberanamente os outros. No futebol, não é diferente do basquete: o feminino, dois a um Brasil, foi registrado, no resumo, mostrando que a Austrália perdeu, mas a tevê só mostrou o gol das anfitriãs; os dois gols das brasileiras, o canguru comeu...
Menciono o Brasil, que nos toca mais, porém, o critério vesgo vale pra todos os adversários dos australianos, em qualquer modalidade. Lembra os norte-americanos, em Atlanta, quando a ética do jornalismo esportivo era cinicamente ignorada. A tevê dava mais destaque a um bronze americano do que a um ouro estrangeiro.
A conduta chauvinista bate de frente com o espírito olímpico, segundo o qual os Jogos Olímpicos são uma competição entre indivíduos e não entre nações. Um conceito louvável mas inteiramente furado pelo próprio COI que celebra o herói olímpico com hino e bandeira e que faz a conta de medalhas, não por atleta, mas por nação.

A nova Paula

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