SYDNEY – Mais forte, mais rápido, mais longe – este é o credo olímpico. A boa leitura desta máxima sugere que os Jogos de 2000 são uma chance pra criatura humana se recuperar. Nada mais razoável. Afinal, o esporte é um exercício permanente em busca de novos limites.
Os Jogos Olímpicos talvez se encerrem, acrescentando uma nova meta às três dimensões do desafio olímpico: o mais inteligente. Na verdade, os esportes coletivos estão cada vez mais sofisticados. A vitória, hoje, está muito próxima da equipe mais bem dotada de cabeça. O intelecto começa a fazer diferença. No plano físico, todos se nivelam; no plano técnico, os métodos de treinamento se equivalem.
O técnico Bernardinho, do vôlei feminino brasileiro, passa horas e horas discutindo com suas jogadoras procedimentos táticos pra surpreender as rivais de cada batalha. É o reino das pranchetas sem as quais fica mais difícil resolver as equações de uma partida. Quanto maior for o poder de assimilação do plano de jogo, maior será a chance de triunfo. O basquete e o vôlei estão se transformando em jogo de xadrez.
É o caso de perguntar: como se situa, nesse novo tempo, o futebol brasileiro? Todos sabemos que a maior arma do nosso jogador sempre foi a intuição. Principalmente nos super-craques. Pelé prescindia de quadro negro. Garrincha, idem, idem. Acontece, porém, que os gênios já escasseiam nos campos brasileiros. Por sua vez, os europeus, cientes de sua limitação medular, se debruçam na criação de esquemas intelectualmente concebidos.
Cada vez é mais fácil montar armadilhas táticas pra neutralizar a improvisação brasileira. Que o diga o técnico da África do Sul, um profissional de formação européia, que acaba de dar um nó na garotada de Luxemburgo, no torneio olímpico em Brisbane. Um jogo perdido muito mais em limitação de cabeça pensante do que esperteza de pés tão celebrados.
Enfim, o futebol é um passatempo peculiaríssimo. É jogado em circunstâncias quase sempre adversas: piso irregular, vento, sol, chuva; a bola sofre demais a influência de todos esses elementos; o pé, por mais adestrado que seja, nunca terá sobre uma bola a soberania da mão. Talvez por isso seja o futebol tão imprevisível, tão rebelde à voz do cérebro.

A batalha das medalhas

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