Na Grande Área - Armando Nogueira
SIDNEY - Reina um certo mal-estar nos terreiros da Austrália, por conta de uma decisão arbitrária que barrou dos Jogos Olímpicos dois ilustres filhos da terra: o canguru e o coala. Os dois seriam candidatos naturais a mascotes dos Jogos. Foram, porém, preteridos por três bichinhos menos conhecidos que não têm, nem de longe, o ibope dos outros dois e que são o ornitorrinco, um castor com cara de pato, o equidna, uma milenar espécie de porco espinho, e o cocaburra, que é um pássaro, uma ave de candura, coração de rapadura....
O canguru não passou recibo, mas todo mundo acha que ele se considerou rejeitado. Afinal, sempre encheram a bola dele, paparicando-o como símbolo vivo da nação. Faturam alto, há séculos, à custa de sua insólita figura de marsupial. Não seria ingratidão? No colégio, o canguru era, dos estrangeiros, o meu bicho predileto. Achava legal a mãe sair pulando pela campina, com o filhote enfiado numa pochete. O coala não está nem aí. Detesta auê. Só quer sombra e água fresca. Dorme 18 horas por dia. É um ser contemplativo, passa o dia de papo pro ar, filosofando e comendo tenras flores e folhas de eucalipto. Eucalipto não dá sustança a ninguém, mas tem uma vantagem: previne contra certas moléstias. Coala não sabe o que é resfriado. Vou levar um coala pra morar comigo. Somos alma-gêmeas...
DOCES MENTIRAS





