Wanderley Luxemburgo pode estar sendo vítima de má fé. A pessoa que o ataca, ferozmente, tem sido, no mínimo, leviana. Ao mesmo tempo que acusa o técnico de atitudes nada éticas, furta-se de dar nome aos bois. Não me causa boa impressão o comportamento público dessa moça. Ainda assim, não me parece nada confortável a posição de Wanderley Luxemburgo. Ele exibe, invariavelmente, um ar de quem não está nem aí pras denúncias. Finge que o tiroteio não o abala.
É o caso de repetir a pergunta que ouvi do advogado Clovis Sahione, pessoa, por sinal, simpática à causa do treinador:
– Por que Wanderley Luxemburgo demorou tanto pra interpelar judicialmente essa mulher? Ela já teria que ter posto tudo em pratos limpos, sob pena de ser responsabilizada criminalmente.
Wanderley Luxemburgo está querendo empurrar com a barriga uma situação de constrangimento que pegaria no fígado de qualquer ser humano. O mais primário manual de psicologia considera emocionalmente alcançada uma pessoa na situação de Wanderley Luxemburgo. Culpado ou não, Luxemburgo perdeu a confiança da opinião pública.
Pesquisa mostrada, domingo de tarde, no programa ‘Enquanto a bola não Rola’, da Rádio Globo, revela que 70 por cento dos torcedores cariocas consideram procedente a saraivada de denúncias contra o técnico da seleção. Como não há provas materiais, a pesquisa não implica uma condenação formal, mas não deixa de ser um aceno de desconfiança. Ainda que momentaneamente, o ibope do cidadão Luxemburgo está muito baixo.
Acho, sinceramente, que, em nome da própria reputação, Wanderley Luxemburgo devia se afastar da seleção. Dar um tempo. Seria sensato que ele pedisse licença, pra que pudesse provar em juízo sua inocência. Daria ele, assim, um exemplo de desprendimento e de altivez, despindo-se do poder para enfrentar os ataques de peito aberto, no campo neutro da planície. Uma vez desagravado, é certo que ele voltaria ao cargo sob o calor do respeito público.
Wanderley Luxemburgo talvez não tenha parado pra pensar que não fará nada bem à sua biografia pretender misturar sua sorte pessoal com a sorte da seleção.
A caravana da CBF
Carlos Nuzman, presidente do COB, disse, no programa do Elso Venâncio, da Rádio Globo, que o futebol não desertará dos Jogos Olímpicos, como se anda falando, há algum tempo. O fato de Joseph Blatter ter aceito um lugar no Comitê demonstra, claramente, que o comando da Fifa está em paz com o COI. Uma coisa, porém, Nuzman insinua: é que o futebol não sai, mas é provável que a idade-teto baixe de 22 anos, a partir de Atenas-2004.
Agora, uma informação colhida noutra fonte que não o presidente do COB: a delegação da CBF nos Jogos de Sydney excede, de muito, a cota razoável de 25 membros, somados jogadores, técnicos e pessoal de apoio. A CBF, pra variar, leva uma caravana de mais de 60 apaniguados.
Positivamente, a CBF parece firmemente decidida a ficar na história do futebol brasileiro como o império da desfaçatez.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- O jogador Amoroso já deve ter comprado um quepe de comodoro. Ele saiu do Brasil, depois do jogo com o Chile, com a idéia fixa de comprar um iate, coisa baratinha, um milhão de dólares. Futebol, que é bom, só de vez em quando...
- Érica já desponta, mesmo antes de Sydney. No Grand Prix, a mocinha foi um completo estrondo. O bracinho, um gracioso graveto, faz prodígios em cortadas fulminantes. Sem falar do saque, eleito o melhor do torneio.
- Janeth encerrou a temporada americana mais uma vez campeã com o time do Houston. Hoje, Janeth tem um peso atômico capaz de transfigurar a seleção de basquete. Quem viver verá que, com ela, a equipe brasileira vai mudar da água pro vinho.
- Mais uma iniciativa louvável da Federação Paulista de Futebol: no próximo campeonato doméstico, o zero-a-zero será contemplado com zero ponto pra cada equipe. A rigor, o castigo bem que poderia ser um ponto a menos pros dois. Tudo que se faça pra desestimular a retranca será bem-vindo.
- O time do Palmeiras vai se ajeitando, aos poucos. Não entendo por que alguns de seus jogadores, entre um desarme e uma falta brutal, estão preferindo o sarrafo. O Palmeiras, até agora, é a equipe mais violenta do campeonato: amarelos e vermelhos em penca.
- O futebol do campeonato brasileiro não vai bem, como espetáculo. Em compensação, o nível das arbitragens melhorou sensivelmente. Sobretudo, no plano da disciplina, os árbitros têm sido enérgicos e sempre na dose certa.
- A polícia australiana pôs a mão em mil doses de EPO, furtadas de um hospital em Alice Spring, na Austrália. Considerando que a EPO (Eritropoetina) é a droga mais usada no doping esportivo, dá pra perceber que o mercado negro está pensando na clientela dos Jogos Olímpicos.
- Ainda a EPO: trata-se de produto sintético que estimula a criação de glóbulos vermelhos e que aumenta cerca de 10 a 15 por cento a performance de fundistas, de ciclistas e outros atletas de resistência.
- E, por fim: a revista Time traz a informação de que o teste antidoping, pela primeira vez na história, combinará o exame de urina com o exame de sangue. Só pelo sangue é possível descobrir a EPO.

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