Na Grande Área - Armando Nogueira
O arrastão italiano acaba de levar Vampeta e Alex, duas preciosidades do Campeonato Brasileiro. Somos, realmente, exportadores, não de mão-de-obra, mas de pé-de-obra, como bem diz o brilhante e querido Eduardo Galeano.
É simplesmente alucinante o entra-e-sai de dólares no futebol da Itália. São cifras de gente grande: 55 milhões pelo argentino Crespo, 35 milhões por Batistuta, 22 milhões por Trezeguet e por aí vai. Ano passado, a cifra de transações, na Itália, chegou a 500 milhões de dólares. Vampeta vai pro Inter por 22 milhões.
O mercado italiano é operado, ostensivamente, por um time de ricaços, todos chegados ao futebol, seja por paixão, seja por interesse comercial ou político. O clã dos Agnelli, proprietário da Fiat, manda no Juventus há 75 anos; os Moratti, milionários do petróleo, mandam e desmandam no Inter de Milão, que mantém forte parceria com a Pirelli; Silvio Berlusconi, magnata da mídia italiana, político militante, é senhor absoluto no Milan: quando fala, fala tão grosso que, com uma simples crítica à seleção azzurra na Eurocopa, derrubou o técnico Dino Zoff; Sergio Cragnotti e Calisto Tanzi fazem chover no Lazio e no Parma, respectivamente. Cragnotti é dono da Cirio-Bombril e Tanzi, da Parmalat.
A revista argentina El Gráfico, da qual retirei os dados desta nota, conta uma história que ilustra, plenamente, o tamanho do delírio financeiro do futebol italiano. Teria acontecido num encontro do presidente Moratti, do Inter, com o jogador Luigi Sartor, que o clube estava querendo contratar.
Quanto você deseja ganhar, por ano, no Inter? pergunta Moratti.
Oitocentos mil dólares anuais respondeu Sartor, engrossando a voz.
Sinto muito respondeu Moratti aqui, no Inter, nenhum jogador pode ganhar menos de um milhão de dólares por ano.
O tranco da lei Pelé
O Clube dos Treze pode fazer as mágicas que quiser, mas, daqui pra frente, clube sem parceiro rico, com certeza, será mero coadjuvante no Campeonato Brasileiro ou que nome venha a ter a competição. Cito dois: Botafogo e Fluminense. São duas tradições ameaçadas de cair no limbo. Só não somem do mapa porque participam do rateio do dinheiro da Rede Globo, detentora dos direitos do campeonato. Uma receita que dá ao menos pra garantir casa, comida e roupa lavada...
Tudo indica que Botafogo e Fluminense não terão cacife técnico pra disputar com a dupla Flamengo e Vasco da Gama. No Campeonato Carioca, serão sparrings. Na era do futebol-negócio, os dois jamais poderão contratar um só craque-craque da estatura de Denílson, de Edílson, de Gamarra.
A nova Lei Pelé, proibindo que o mesmo grupo financeiro seja acionista majoritário de mais de uma equipe, desencorajou o capital externo.
Fora do Rio, há ainda dois clubes duramente afetados pela modificação da lei: Santos e Atlético Mineiro, que estavam discutindo parceria com a Octagon. O Fluminense negociava a pleno vapor com o Excel e o Botafogo, com a Hicks Muse. Pelo menos, por enquanto, as empresas vão dar um tempo, pra desapontamento de legendas como Fluminense e Botafogo.
Precisão e potência
Quem gosta de tênis e costuma discriminar o circuito feminino, achando que as moças não batem forte, tratem de repensar sua posição. Venus Williams assim o aconselha. Voltei a vê-la, recentemente, derrotando Lindsay Davenport, em Stanford, na Califórnia. É bazuca pura. Só vem rojão, lá do fundo da quadra. Potência e precisão. No embalo de Vênus, está a irmã mais nova, Serena, cuja raquete não refresca. Mary Pierce é outra que está golpeando com rara contundência. A própria Davenport tem uma bola pesadíssima. Ainda assim, não resistiu ao bombardeio de Vênus, tanto em Wimbledon como, agora, na Califórnia.
Quem pensaria, há pouco tempo, que o serviço de uma jovem de 20 anos passaria de 160 quilômetros por hora? Pois Venus Williams não tem dado por menos.
O tênis ganha força e precisão, sem perder a ternura.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- O COI, oficializando medida importante: a cruzada antidoping vai analisar, também, o sangue dos atletas, em Sydney. A decisão pega pelo pé o hormônio do crescimento, que não aparece no exame de urina.
- Está sendo formada uma frente ampla pra mapear o problema da segurança nas imediações do Maracanã, em dia de futebol. Justiça seja feita: dentro do estádio, nas arquibancadas, a violência tem estado sob controle. Tomara que o flagelo em volta do estádio seja igualmente combatido.
- Sempre achei que o futebol de negócios anda atolado em torpes tramóias. Tramóias que não dão em nada porque o governo se omite, não investiga. Vejo, agora, que a Receita Federal decidiu entrar de sola, questionando a compra e venda de jogadores entre clubes brasileiros e estrangeiros. Já não é sem tempo que o fisco decide enquadrar, por crime de sonegação, os grandes alcapones do futebol brasileiro. Que não são poucos, como suspeita, há séculos, a opinião pública das arquibancadas.





