O torneio de Roma já se foi. Guga já está malhando noutra freguesia, mas ainda é tempo pra uma reflexão sobre a final contra o sueco Magnus Norman. Por que Guga não jogou o que sabe? Ele vinha de quatro exibições empolgantes. Nas quadras de Roma, Guga chegara à perfeição, merecendo distinção e louvor em todos os fundamentos do tênis. Devastou tenistas do padrão de Philippoussis, de Albert Costa e de Corretja.
Justamente contra Norman, Guga não encontrou jamais a bola de seu primeiro serviço. É da bíblia do tênis a conhecida máxima segundo a qual ‘‘o tenista é tão bom quanto o seu segundo serviço’’. Não contestaria o lendário Tilden. Até porque o segundo serviço de Guga é satisfatório. Não é potente mas vai repassado de maliciosos efeitos. Em certos jogadores, porém, nada é mais fundamental que o primeiro serviço. É o caso de Guga. E por uma razão cristalina: é com a arma do serviço que Guga economiza o seu físico, preservando-o de maiores desgastes. Enfia 10/15 aces, encaixa outro tanto de saques irrespondíveis e, assim, com um mínimo de esforço, ele vai liquidando os mais temíveis rivais.
Ocorre que, domingo, Guga teve que conquistar cada ponto, trocando bolas, esfalfando-se em exaustivos ‘‘rallies’’ com o mais que atlético Magnus Norman. E é justamente nesse ponto que eu quero tocar. Guga não tem a estrutura muscular que o tênis de hoje exige do jogador de elite que ele é. Magnus Norman não tem o talento de Guga. Em compensação, Guga não tem a potência física de Norman. Pra agravar a equação, enquanto Guga não chegava jamais a 50 por cento de aproveitamento, Norman manteve sempre 60 e poucos por cento de aproveitamento. Isso foi crucial pro destino de Guga na partida.
A comunidade entendida do tênis brasileiro, sem exceção, atribui a Larry Passos o máximo de contribuição pro êxito de Guga. Não discutiria o mérito de Larry. Acho, porém, que Larry já devia ter admitido um preparador físico pra complementar o trabalho técnico, tático e mental que ele realiza tão bem na carreira de Guga.
Guga nasceu com o dom de jogar tênis. É uma faculdade divina que o distingue da maioria dos tenistas. Está na hora de transformá-lo num atleta.

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