NA GRANDE ÁREA - Armando Nogueira
A semana da Libertadores foi do mais puro arrebatamento. Três jogos acabaram na aflição dos pênaltis. Decisão assim é provação, é transe. Tem um quê de filme de suspense. Dois rivais, frente a frente, no ato simbólico de matar ou morrer. O fervor de 90 minutos comprimido na eternidade de efêmeros segundos. Não falo do tempo cronológico, que esse passe impressentido. O que mortifica a gente na disputa de pênaltis é o tempo psicológico. O tempo que é regido pelo pulsar do coração do torcedor. O relógio que, em vez de andar, desanda...
Duvido que haja alguém que enfrente, sem se emocionar, aquele instante que, sem hipérbole, eu diria perfeito como desfecho de uma história apaixonante. Foi assim no jogo Corinthians x Rosário, foi assim no Palmeiras x Peñarol e assim também na estupenda partida entre os dois Atléticos, o mineiro e o paranaense. Ah, como é cruel ver cair fora de uma competição uma equipe como a do Atlético do Paraná. Bem montada, consistente técnica e taticamente e com um estado de espírito incomum. Menos mal que a vaga está em boas mãos porque o Atlético Mineiro amadureceu, de vez, com o dinamismo e o talento de jogadores da estirpe de Marques, de Guilherme, de Caíco e do ex-vascaíno Ramon, apoiados por uma brigada de defesa em que desponta Claudio Caçapa.
Decisão por pênaltis, certamente pro torcedor, é prova de esforço. Quem não tiver coração de ferro pode morrer em plena esteira.
Os tubarões australianos





