Na Grande Área - Armando Nogueira
O nome em alta, no futebol brasileiro, é Paulo Cesar Carpegiani. Não só na imprensa, que sempre o cita como exemplo de cabeça arejada, mas, também, entre jogadores, mais ligados em tudo que rola pelos campos. A começar, naturalmente, pela rapaziada do próprio São Paulo, onde ele já está sendo visto como alguém que junta tática e estratégia com maestria e discrição.
Há dias, visitei o Centro de Treinamento do São Paulo e lá ouvi de algumas pessoas ilustres como Rubens Mineli, que Carpegiani dirige a equipe, não com a rigidez dos esquemas conhecidos, mas levando em conta as circunstâncias de cada jogo. Na mesma partida, ele é capaz de surpreender o adversário com variações táticas corretamente executadas por seus jogadores.
Quer dizer: o homem deve ter uma virtude nada comum entre os treinadores brasileiros, que é o poder de comunicação. De certo, Carpegiani concebe seus formatos e os transmite à equipe com propriedade e clareza. Do contrário, já teria fundido a cuca de muita gente. Aliás, não deve estar sendo assim tão fácil pra alguns jogadores. O atacante França foi um que disse, brincando, que se o cara não tiver um computador na cabeça, vai dançar no esquema do Carpegiani. Por sinal que o dito França tem sido um dos melhores exemplos de assimilação na equipe do São Paulo. Está jogando com uma versatilidade que não se via, nele, antes de Carpegiani aparecer no Morumbi.
A tirada de França me faz lembrar uma que se passou com Garrincha, ali pelo meio da década de 50. Era o tempo do campeonato brasileiro de seleções. O técnico Martim Francisco, do escrete carioca, fazia uma preleção, no grande círculo do campo do Vasco. Martim era metido a filósofo. Citava os pensadores gregos com invejável familiaridade. No meio da falação, quando Martim ia começando a mergulhar nos labirintos da geometria diferencial, Zizinho e Ademir Menezes se entre-olharam, Danilo e Nilton Santos, idem, idem; os quatro olharam na direção de Garrincha, que estreava na seleção. Zizinho fez um sinal discreto, chamando Garrincha. Garrincha deu a volta por trás da turma e mestre Ziza cochichou-lhe, paternalíssimo:
- Nenem, não fica aqui, não; pega uma bola e vai ali pro lado, brincar com ela. Garrincha hesitou.
- Vai - insistiu Ziza - pode ir que eu garanto. Senão, esse cara vai acabar estragando a tua cabecinha...
E Garrincha foi. Pra felicidade geral da nação...
Bate, outra vez...
Flamengo e Vasco fazem, domingo, um jogo de arrepiar o Maracanã. Mesmo que o ingresso não estivesse a preço de banana, ainda assim o estádio lotaria, tal a carga de expectativas que cerca esse jogo. Principalmente do lado rubronegro, cuja torcida está acreditando que a hora é essa. O próprio Vasco inspira o otimismo do rival. Seu time tem desafinado, seguidamente. Tropeça em pedreiras e até mesmo em pedrinhas. Nem mesmo o privilégio de jogar pelo empate assegura ao Vasco a condição de favorito absoluto. Há um mês, era; hoje, não é mais. Dá até pra entender que eu tenha encontrado, anteontem, um amigo, torcedor do Flamengo, falando do jogo e cantando Cartola: Bate outra vez, com esperanças o meu coração...
Pra complicar ainda mais sua vida, O Vasco pega hoje o Palmeiras, em São Paulo, pela Libertadores. Osso duro de roer, principalmente, pra quem já anda batendo pino, a olhos vistos. O Palmeiras ainda é o mais inteiro dos papões de títulos. Tem um elenco de reservas que lhe permite enfrentar, sem desgastes extremos, as três competições de que participa: a Libertadores, a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista.
Enquanto isso, o time do Flamengo vai bem, obrigado, com Romário pintando e bordando, em fase de lua cheia; mais que tudo, agora, de novo, na seleção.
Rápidas e rasteiras
- Quem sabe das coisas é a Parmalat. Não polui a camisa do Palmeiras, nem a camisa do Juventude, faz um marketing inteligente. Resultado: a parceria com o futebol tem contribuído, significativamente, pro crescimento espantoso da empresa na América Latina e, especialmente, no Brasil, que hoje já representa 60 por cento das vendas no mercado latino-americano.
- É impressionante o nível do basquete que estão jogando Janete e Helen, ambas da Arcor/Santo André.
- O lateral Serginho, do São Paulo, foi cobrado por não ter querido jogar logo que voltou da Ásia, com a seleção. Sentiu-se cansado. Quando alguém do clube pretendeu desarmá-lo, dizendo que o goleiro Rogério também esteve na Ásia e nem assim deixou de jogar, Serginho respondeu, de bate-pronto: É, acontece que o Rogério corre oito metros por jogo e eu corro oito quilômetros. Serginho não exagerou. Vi, pessoalmente, a ficha dele, no São Paulo: o rapaz corre entre dez e onze quilômetros em cada partida.
- O jornal espanhol El País desce a lenha em Roberto Carlos. Foi o seguinte: enquanto o Real tomava de cinco, do Celta, o lateral se esbaldava de rir, na tribuna, batendo um papo de celular, com um amigo. O mínimo que diz o jornal é que Roberto Carlos es um futebolista epidérmico que não é capaz de entender as sutilezas de sua profissão.
- Há dias, falando de uma jovem enxadrista catarinense, desloquei a cidade de Lages pro Estado do Paraná. Estou tomando cascudos até hoje. Bem feito. É pra eu deixar de ser ignorante.





