Está nas folhas: Wandeley Luxemburgo ficou feliz de ver Felipe a esbanjar talento pela meia-cancha da seleção. A tal ponto que admite usar o craque vascaíno como opção de volante ofensivo, mais adiante, na equipe principal do Brasil.
É verdade que o ‘‘sparring’’ da seleção não podia ser mais primário. Não sei mesmo como a CBF foi descobrir que os Estados Unidos têm uma seleção universitária. Sou capaz de jurar que Luxemburgo, tal como eu, jamais ouvira falar desses meninos. Nunca vi nada mais desconjuntado em campo.
Tenha paciência, Luxemburgo. Vê se arranja coisa melhor pra testar a seleção pré-olímpica, a começar de Felipe. Que Felipe é craque, Deus me livre, ninguém contesta. Que é capaz de dar mais criatividade à armação da equipe, é ponto pacífico, também. Mas vamos concordar em que esse 7 a 0 de Brasília não passa de um faz-de-conta.
Coisas da patela
Ronaldinho está na bica pra voltar à seleção. As insinuações do técnico Luxemburgo nos levam a imaginar o craque já entre os convocados pro jogo do dia 28, contra o Barcelona. O joelho avariado não estaria de todo bom mas, tudo indica, já dá pro gasto. Tomara. Ronaldinho tem um problema de irritação na raiz da rótula. Pelo menos é o que ouço falar. Rótula que, por sinal, mudou de nome. Agora, é patela. Quem me dá esse singelo esclarecimento é uma pessoa ilustre que também tem uma patela marota. Falo de Hortência.
Há dias, encontrei Hortência na ponte-aérea. Fiz-lhe, então, uma pergunta que sempre lhe quis fazer: por que ela, Hortência, jogou os últimos anos de carreira com uma bandagem estreita, uma espécie de fita, no joelho? Seria superstição? A mim me parecia um fetiche, uma cisma. Não, não era. Conta Hortência que sentia uma dor fininha, ali, na rótula, digo, na patela.
- Doía’’, diz ela, ‘‘mas dava pra jogar. A fitinha era pra pressionar a raiz da patela e amortecer o impacto.’’
Garante Hortência que dá perfeitamente pra jogar. A dor é suportável. ‘‘A gente acaba se acostumando’’, acentua a estrela do basquete. E eu me lembro de uma bela frase de Oscar Schmidt que, certa vez, me confessou em entrevista ao Esporte Real:
- ‘‘A dor faz parte do meu uniforme...’’
Não estará na hora de Ronaldinho, sem deixar de lado os doutores, vir bater um papo com Hortência e passar a usar uma fitinha no joelho? Patela é com ela.
Cada gol, um suicídio
Conrado era beque de espera. Mulato encorpado, com cara de poucos amigos. Vivia de expediente. Ex-menino de rua. Jogava pelada nos campinhos de barro da Baixada Fluminense. Domingo passado, jogou racha o dia inteiro. Entre duas peladas, tirava um tempinho sagrado pra uma cerveja, no boteco do Lili. No fim do dia, Conrado saiu de campo, em dívida. Fez dois gols contra.
O Conrado era o tipo do beque estabanado. O chamado beque da roça. Bola na área, ele arrepiava. Não queria nem saber pra onde dava o vento. Volta e meia, estufava suas próprias redes. Terminava a pelada arrasado, de moral baixa.
Domingo, de noite, em casa, faria seu derradeiro gol contra: meteu uma bala na cabeça.
Conrado tinha a alma cheia de suicídios.
Rápidas e rasteiras
- Se dependesse do desejo da torcida do Barcelona, Romário seria levado pro jogo festivo do centenário do clube. Luxemburgo está na encolha, mas parece, também, inclinado a levar o craque rubronegro. A presença de Romário, nesse jogo, tem tudo a ver com a celebração. Segundo Cruyff, Romário foi o melhor jogador que passou pelas mãos dele quando treinava o Barcelona.
- Amyr Klink me convida a pousar de ultraleve anfíbio na praia de Jurumirim, perto de Parati, onde tem um refúgio. O herói brasileiro de todos os mares me manda coordenadas geográficas pra eu chegar lá. É só plotar no G.P.S. e estaremos pousando no paraíso.
- Achei de profundo mau-gosto que o técnico Ricardo Navajas dissesse, aos berros, que é melhor técnico do que Renan. Deu a declaração, com sarcasmo, logo depois que seu time, o Suzano, derrotou o Olympikus, de Renan. Olha, Navajas: quem não sabe vencer, não perde, mas perde-se.
- Será que o time do Vasco virou o fio? Será que a glória e o dinheiro subiram-lhe à cabeça?
- O Fluminense tomou uma surra de 6 a 0, em Caxias do Sul. Diz Parreira que uma derrota como essa não tem explicação. A derrota pode não ter, mas vitória tem. É só perguntar ao Juventude. Recebi o telefonema de um amigo, contando que o time gaúcho deu um show de técnica, de brio, de coragem.
- Toni Ramos leu uma crônica, no último Esporte Real. O homem acabou com o jogo: estúdio, sala-de-corte, todo mundo bateu palmas, de pé.
- Os brasileiros que disputam o torneio de tênis do Estoril estão hospedados na Quinta do casal Almeida Braga, em Sintra. Braguinha é o grande anfitrião de nossos craques de tênis. Não só os tenistas. Braguinha merece ser nomeado embaixador plenipotenciário do esporte brasileiro. Se o presidente Fernando Henrique o nomeasse, pegaria muito bem.

mockup