Uma vez Flamengo... nem sempre Flamengo. Tem cabimento pedir a um norte-americano que redesenhe o emblema do urubu rubro-negro? Pois é o que fico sabendo pela coluna do Boechat. Vão pagar pelo trabalho 40 mil dólares ao diretor de cinema Steven Spielberg. Positivamente, quem teve tal idéia, rubro-negro não é; é ruim da cabeça ou doente do pé.
E não me venham com essa conversa de globalização. O bolso pode ser globalizado; a alma, não. Será que ocorreria a um americano pedir ao Chico Caruso pra refazer o touro do Chicago Bulls? Jamais! Aí está a indizível Fernanda Montenegro que não me deixa mentir.
O urubu feito símbolo do Flamengo é uma criação de Henfil. Quem primeiro lançou ícones entre os clubes cariocas foi Molas, um chargista argentino, radicado no Brasil, que fazia muito sucesso no Rio nos anos 40. Na mesma tirada, Molas, que conheci das páginas do ‘‘Jornal dos Sports’’, inventava as figuras do Popeye pro Flamengo, do Almirante, pro Vasco, do Cartola, pro Fluminense, e do Pato Donald, pro Botafogo. O Henfil foi quem abrasileirou o símbolo do Flamengo.
Certamente o urubu será o primeiro a repudiar a americanização de sua figura. Agora, meus amigos, perguntem comigo: que é que entende de Flamengo alguém que não fala português, que mora na Califórnia, que gosta de beisebol e que jamais viu um urubu, a sobrevoar a restinga da Marambaia, metido numa bolha de ar quente? Asas embandeiradas, numa boa.
Quem sabe tudo de Brasil e de futebol é o Lan, é o Otelo Caçador, é o Ziraldo, o Borjalo, o Chico Caruso, o Ique. Nem todos são rubro-negros, mas o certo é que da mão de qualquer um deles é que devia sair a figura remoçada da mais carioca das aves, que é o urubu-de-cabeça-preta, adotado pelo Flamengo como símbolo de sua torcida, no que ela tem de altivez e de boa malandragem, virtudes que exaltam o vôo inspiração do ícone rubro-negro.
Só pode ser coisa de marqueteiro, essa praga que baixou no futebol e que, no caso do Flamengo, já transformou uniforme rubro-negro em porta-estandarte do Lubrax F.C.
O maior de todos!
O jogo-homenagem de Cruyff, no campo do Barcelona, semana passada, foi uma consagração: 100 mil torcedores, no Nou Camp, louvando, em coro, o nome do holandês que se tornou ídolo - primeiro, jogando; depois, treinando o time do Barça. No fim do jogo, de celebração, Cruyff pegou o microfone e relembrou os heróis da equipe catalã do começo da década de 90, quando era ele o técnico. Cruyff dedicou uma frase a cada grande jogador que dirigiu: Laudrup, o artista!; Koeman, o fino passador!; Stoitchkov, o agressivo!; Bakero, o líder! O último citado foi Romário, sobre quem o estádio ouviu Cruyff dizer, com entusiasmo: ‘‘Romário, o maior de todos!’’
É a glória intacta!
Flor de areia
Outro dia, dei uma paradinha de carro, na praia de Ipanema. Como quem não quer nada, fiquei vendo a Ana Paula, que treinava com Jaqueline. A moça é uma sílfide, jogando vôlei, de biquini. Ana Paula é de dar choque anafilático no mais pacato dos varões.
Esbelta, esguia, esgalga. Tulipa de pele profunda.
Rápidas e rasteiras
- Foi simplesmente empolgante o jogo São Paulo, 2 x Santos, 1, no meio da semana. Vi pela tevê. Tem uma safra despontando que... vou te contar. No time do São Paulo, está desabrochando um canhotinho, que é um desacerto. Chama-se Marcelinho. Quem gosta de craque trate de vê-lo enquanto é tempo. Já-já, levam o menino pra Europa.
- No mesmo dia em que Arthur Sendas lança o nome de João Havelange a Prêmio Nobel da Paz, o ex-presidente da FIFA volta a declarar guerra ao Maracanã que, diz, gostaria de ver demolido. O ministro Greca, do Esporte, defende o Maracanã como um dos mitos intocáveis do nosso tempo. Greca, recém-chegado da Europa, me assegura que a idéia de por abaixo o Maracanã soa por lá como tremenda heresia. É, pelo menos, o que o ministro revela em entrevista que me deu no relançamento do programa Esporte Real, sexta-passada.
- Por falar em Esporte Real, aos correios-eletrônicos que me chegam, felicitando pelo novo cenário do programa, tenho o prazer de transferir a chuva de confetes pra Abel Gomes, que é o criador e realizador do cenário, que é, realmente, muito bonito. Um craque, além de querido amigo, o Abel.
- Juan Samaranch tirou o corpo fora quando Rafael Greca lhe pediu que aceitasse o Futsal como esporte olímpico. Sugeriu que o Brasil fale com a FIFA. Vale a pena pedir. O futebol de salão é medalha de ouro no peito de Manoel Tobias.
- Ganhei de presente ‘‘40 anos de Bossa Nova’’, escrito por meu velho e estimado Arthur da Távola. Quanta coisa está me ensinando a leitura desse importante documento sobre a vida, paixão e imortalidade da bossa nova!
- Pedreiras à vista: no mundial de futebol feminino, nos Estados Unidos, a seleção do Brasil pega duas equipes de peso, que são Alemanha e Itália. O grupo é o B, e tem também o México. Só duas se classificam. Aposto na dupla Brasil-Alemanha. A Copa começa dia 19 de junho.
- Por falar em futebol feminino, a FIFA acaba de descobrir a pólvora: diz que as mulheres são mais corretas jogando que os homens. Quem seria capaz de imaginar uma garota baixando o sarrafo em todo mundo, feito um marmanjo?

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