Há quem conteste a versão de que o grito de olé, no futebol, não vem de uma exibição do Botafogo, contra o América, do México, nos bons tempos de Garrincha, Didi e Nilton Santos. Leitores me escrevem atribuindo a origem do cântico ao jogo Brasil-Espanha, no Mundial de 50, no Maracanã.
Então, vamos lá: em primeiro lugar, não posso dar o episódio do México como verdade absoluta. Não vi a cena. Vendi o peixe tal como me foi vendido. Quanto à versão de que o olé nasceu no Maracanã, no jogo Brasil 6 x 1 Espanha, tenho a dizer o seguinte: eu estava no estádio e vi, de fato, a multidão embalar a goleada, cantando a marchinha Touradas em Madri. Que eu me lembre, em nenhum momento, ouvi alguém gritar a expressão 'olé' durante a partida. O que todos cantavam era a música de João de Barro, por sinal, um grande sucesso do Carnaval de 1938.
É bom considerar que, naquela tarde longinqua, o ritmo da seleção era tão vertiginoso que nem dava tempo pra sublinhar as jogadas com a famosa interjeição. Na verdade, o grito de olé pressupõe uma trocas de passes bem cadenciada, sem outra intenção a não ser reter a bola, esfriar o jogo e, em casos especiais, botar os cabeçudos na roda, como diria mestre Didi.
Por fim, há uma terceira história, essa contada por João Saldanha, no livro ''Subterrâneos do Futebol''. O primeiro Olé teria ocorrido no jogo Botafogo x River Plate, um amistoso no México, em 1958. E o inspirador não foi o time do Botafogo e sim um baile de Garrincha em cima de seu marcador, o lateral Roque Vairo, da seleção argentina. Toda vez que Garrincha dançava na frente de Vairo, a bola parada entre os dois, a torcida gritava, em delírio: Ôoooo-lé!
O metrônomo tricolor
Será que dá pra dizer que craque, antes de ser solução, pode vir a ser um problema? Dá, sim. Vejamos o caso de Ricardinho. Quando o São Paulo decidiu levá-lo do Corinthians, todo mundo imaginava que bom seria pro time tricolor a incorporação de um jogador da envergadura de Ricardinho. Era o virtuoso que faltava pra afinar, de vez, a orquestra da casa.
Pois até agora, meus amigos, Ricardinho parece um estranho no ninho. Um metrônomo em descompasso. Desaprender, ele não desaprendeu. Estaria estranhando a nova casa? Duvido. Cancha é o que não lhe falta. A meu ver, Ricardinho já pegou o bonde andando. Não é fácil, da noite pro dia, encaixar numa equipe uma peça de tamanha expressão. Não é fácil harmonizar tarefas afins como as de Ricardinho e de Kaká, por sinal, um destro e um canhoto, ambos atuando pela faixa esquerda do campo.
No calendário caótico do futebol brasileiro, os técnicos não têm tempo sequer pra fazer treinos de manutenção. A ordem da cartolagem é a conhecida ''embrulha e manda''! Felizmente, Ricardinho é um craque, um homem de personalidade. A qualquer momento, dá-se o estalo. Craque é craque.
Letra maiúscula
No jogo Ponte Preta 3 x 1 Flamengo, o atacante Caíco fez um gol da mais fina irreverência: Caíco chega à linha de fundo, velocíssimo, soberano, com a bola a seus pés. A área congestionada. Passar a bola a alguém é inviável. Num golpe de rara astúcia, tendo perdido o ângulo de chute, Caíco, num passo de mágica, cruza a perna direita por trás da canhota e supreende a defesa do Flamengo com um inopinado gol de letra. Um golaço, com todas as letras. Letra maiúscula. Um gol que, a essa altura, delicia platéias, exibido nas telas de tevê do mundo inteiro. Por isso, o inefável Caíco é o meu personagem da semana.

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