NA GRANDE ÁREA - A ARTE DE PESCAR
O Flamengo terá, este ano, um verdadeiro fio desencapado. Pelo menos, é assim que amigos paulistas se referem à transferência de Lopes pro rubro-negro do Rio. O jogador só deu dor-de-cabeça ao Palmeiras. Bom de bola ele é. Em forma, exibe virtudes físicas respeitáveis, como a passada larga, a descontração, seja no drible, seja no passe preciso, seja no chute de longe da área.
Lopes é um jogador que só serve bem à equipe se estiver muito bem atlética e mentalmente. Sem fôlego, com a cabeça torta, é peso morto. Aliás, no futebol de vida-ou-morte de nossos dias, quem não cuidar bem da cabeça e dos músculos, vai acabar dançando. E não é só no futebol. O esporte de alta competição não refresca. O atleta tem que matar um leão por minuto. Tem que ser fera.
Romário tem sido uma referência enganosa. Todo mundo sabe que Romário é uma flor da boemia. A noite circula nas suas veias. Nos últimos anos, ele escancarou seu tédio absoluto a treinamento. Seja qual for: técnico, tático, físico. Sucede que Romário é um jogador extra-classe. Não tem rival na arte de fazer gol. Entre milhares que conheci, é o único atacante que manobra todos os segredos da grande área, seu reinado. Ninguém jamais chutou a gol com a precisão com que ele chuta. As bolas que o digam.
Imitar o estilo de vida de Romário acaba sendo uma perdição. Nem Lopes, nem ninguém dará certo, se pretender levar a vida desregrada que leva Romário. E é bom lembrar que Romário só relaxou, mesmo, quando já era um nome consagrado. Antes, na Europa, fosse na Holanda, fosse na Espanha, ele treinava. Nunca se privou da noite, mas, na manhã seguinte, lá estava ele, dando duro com o resto da equipe.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- ATP autorizou, em caráter experimental, que os tenistas joguem de camisa sem manga. Tem gente que gostou e gente que não gostou. Meligeni não gostou. O alemão Tomi Haas gostou. Aliás, foi ele que pleiteou. Uma coisa já acontece no vôlei: muito jogador dobra a camisa até o ombro, sinalizando que a manga atrapalha no saque e na cortada. Que eu tenha visto, Nalbert e Giba jogam assim. Há quem diga que a questão é esta: ter ou não ter deltóide bonito pra mostrar às moças...
- Amigos, vamos torcer pra que sobrevivam as ligas a Sul-Minas, a Centro-Oeste, a Norte-Nordeste que aí estão lutando, com destemor, contra as forças do mal que envergonham o futebol brasileiro.
- O torcedor brasileiro resolveu imitar o argentino, justamente, no supremo mau gosto de emporcalhar o gramado, enchendo a grande área com tiras e tiras de papel higiênico, lançadas da arquibancada. A serpentina dos idiotas. Esse é um deplorável costume do futebol argentino, que a falta de educação introduziu em alguns estádios, em 2002. Por que copiar semelhante estupidez? Depois, eles, de lá, no chamam de ''macaquitos'' e nós, de cá, nos sentimos patrioticamente ultrajados.
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Colaborou Andréa Escobar
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