NA GERAL
O problema é o calinho do Londrina
Porque o Londrina perdeu para o Grêmio no Estádio do Café? Primeiro pelo óbvio: os gremistas fizeram dois gols e o Tubarão nenhum. Não foi um resultado absurdo, porém, poderia ter sido melhor para a equipe da casa. O grupo comandado pelo técnico Raul Plasmann tem alguns bons jogadores e muitos bem mais ou menos. Ele sabe disso e não esconde. A torcida sabe disso e gostaria de esconder. Não dá para dizer que o time jogou mal. Foi valente, em alguns momentos até ousado.
Porém houve erro de conceito. Explico: alguns dos jogadores do Tubarão têm um excessivo conceito sobre si. Acreditam que são craques, que estão aptos a jogar no Real Madrid. Não estão. Quando é para jogar simples, procurar o companheiro melhor colocado para tocar a bola, preferem dar de calinho. O caso é urgente, contratem um podólogo para o Londrina.
Não sou contra dribles, jogadas de efeito, muito pelo contrário, faz bem para o espetáculo, agrada o torcedor. O problema é que isso só é interessante para o time quando há um objetivo. A firula pela firula é dispensável. Um exemplo é o zagueiro Thiago Matias. É um bom jogador, mas parece que imagina ser o célebre Figueiroa, zagueiro que passou pelo Internacional, eterno rival do Grêmio. Em uma bola já dominada, tentou fazer um drible desnecessário, perdeu a bola e quase dá um gol de presente para o adversário. Não estou crucificando o zagueiro, muito pelo contrário. Quando o moço joga sério, vai bem. Outros jogadores também deixaram a desejar. Em alguns momentos houve show de passes errados, daqueles que fazem o torcedor levantar na arquibancada e lembrar carinhosamente da mãe do autor do passe.
No contraponto o Grêmio. No papel o time é pior do que o do ano passado. Porém, Claudiomiro sabe que ele é apenas Claudiomiro. Quando é preciso dar bicão ele dá. Não há constrangimento. Não há calinho. Guardou um de cabeça no Londrina. Outro exemplo: Cristhian. Não fez dribles espetaculares, pegou poucas vezes na bola mas, como todo atacante que precisa fazer gols para permanecer na profissão, tem a objetividade como meta. No segundo tempo, na única bola limpa que pegou, matou o Londrina.
Domingo o Tubarão tem uma missão difícil. Precisa ganhar do Adap de Campo Mourão por dois gols de diferença para se classificar para a próxima fase do Campeonato Paranaense. Lá não terá televisão transmitindo ao vivo para todo o Brasil, portanto, antes da viagem é interessante que o time vá ao podólogo, tire os calinhos e leve na bagagem uma boa dose de objetividade.
- Como diria o corintiano ao sãopaulino: à benção padrinho.
- O público pagante no Estádio do Café foi de pouco mais de 14 mil pessoas mas poderia ser maior se fosse reduzido o número de carteiradas nas roletas de entrada. Será que essas autoridades todas também dão carteirada quando vão ao teatro ou ao cinema?





