As coisas que não deveriam terminar

Tem coisas que não deveriam terminar nunca. Férias por exemplo. As minhas terminaram. A partir de hoje a coluna Na Geral, para alegria de uns (a minha) e para tristeza de outros, retorna às terças e sextas feiras.
Voltando às coisas que não podiam acabar poderíamos citar a beleza da mulher. Lembra daquela gata lindíssima que quando você tinha 15 anos e ela 16, você sonhava com ela em todos os cômodos da casa, inclusive no banheiro? E ela nunca olhava para sua cara cheia de espinhas? Pois é, nada como um dia após o outro. Hoje aos 60 anos, você bem cuidado, correndo oito quilômetros por dia na pista do Zerão, fazendo musculação naquela academia cheia de gatas saradíssimas, agendando hora para atender as pitchulas que querem conhecer as delícias do homem experiente, tromba com ela, a ex-mulher dos seus sonhos, que tantos calos na mão lhe deu.
Ela já não é aquela. Não é mais aquele docinho. Está mais para fruta. Um maracujá.
- Oooiii!!! Lembra de mim? - diz a mulher.
Você lembra, mas finge que não e dá aquela acelerada deixando-a para trás.
Ah!! Como é doce a vingança.
Outra coisa que torcedor de futebol não quer que termine nunca é fase boa de seu time e a ruim do adversário. Para o sãopaulino, por exemplo, seria ótimo que a fase atual do Corinthians continuasse por um bom tempo.
Já o torcedor do Londrina, desacostumado a vitórias em sequência, está num dilema: será um sonho o que está acontecendo? Depois de começar tropeçando até na sombra no Estadual, o time engrenou e está ganhando partidas até fora de casa. Isso mesmo, ganhando na casa do adversário. Chega a ser assustador. Primeiro ganhou do América, pela Copa do Brasil, no Rio de Janeiro. Domingo, pelo Paranaense, venceu o Francisco Beltrão lá no Estádio Anilado.
O torcedor tem medo de abrir os olhos e achar que está sonhando.
- Dois a zero no Beltrão. É sonho. Por favor não me belisquem que se não eu acordo.
Não que o Beltrão seja um grande time. Está mais para mediano. O problema não é o adversário, é o Londrina. Será a estrela do presidente Carlos Alberto Garcia?
Há tanto tempo que o time não tinha uma sequência de jogos sem perder que fica aquela desconfiança: será que desta vez a equipe embala e começa a dar alegria à torcida?
O bom do futebol é esta eterna alternância entre as fases boas e ruins. No caso do Londrina a alternância não é tanta assim, as fases ruins são muito mais longas e duradouras. Quem sabe essa escrita não está, enfim, mudando. Vida longa à estrela Garcia.
- Vamos de provérvio oriental: Temos que ter cuidado com as pequenas pedras no caminho. As grandes se vê de longe e é só contorná-las. A pequena pedra o cara pisa sem ver e se machuca. Foi o caso do Santos, atropelando os grandes times que estão na Libertadores, machucou o pé quando enfrentou o Paulista.

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