NA GERAL
Uma cadeira em busca de um presidente
Sede do Londrina Esporte Clube na Rua Jorge Casoni 1900, área central de Londrina. Ao fundo, na sala da presidência, lá está a cadeira. Por enquanto, ocupada. Daqui a alguns dias ficará vaga. A faxineira vai entrar na sala, espanar o pó da cadeira. É possível que o pessoal da manutenção até coloque um pouquinho de óleo para que cadeira, quando for usada pelo próximo ocupante, não faça aqueles rangidos irritantes. Ela, a cadeira, está solitária. Há muito tempo esse móvel não se sentia tão desprestigiado, tão renegado, se é que cadeira tem algum sentimento. Ninguém quer usá-la.
Essa cadeira, que já entrou para a história do clube, foi ocupada por bicheiro, empresário, político, cronista esportivo, advogado, entre tantos outros adoradores do futebol. Hoje, porém, ninguém se atreve a colocar seu nome como candidato à ocupá-la.
O Londrina nunca foi um time abastado. Porém, já passou por momentos bem mais críticos. A situação atual é até tranquila, comparada há alguns anos. Mesmo assim, ninguém quer ocupar a cadeira do presidente.
Pelo que os nomes mais comentados dizem, o medo nem é da dívida de R$ 6 milhões que, comparada aos R$ 100 milhões de rombo no caixa do Botafogo, que acaba de retornar à primeira divisão, é dinheiro de pinga, no máximo, uísque 18 anos.
O medo deles é a incompreensão. Parece incoerente que homens, empresários, profissionais liberais, bem sucedidos em suas profissões, tenham receio de enfrentar a pressão da torcida que sempre exige um bom time, da imprensa que imprensa, das críticas sem lógica. Por mais que se faça pelo time, sempre é pouco. É um medo que dá para entender.
Por quê alguém, em sã consciência, iria sentar na cadeira que mais parece uma máquina de moer carne? Por quê alguém iria deixar os poucos minutos de tranquilidade que dispõe no seu dia a dia profissional para dar mais entrevista que prefeito; ficar ouvindo a pressão da torcida; a crítica da imprensa; a reclamação do pipoqueiro; o chio do vendedor de churrasquinho na porta do estádio que já não encontra mais gato disponível para o abate miando nos bairros?
Para ser presidente do Londrina talvez não seja preciso a racionalidade e sim a paixão, amiga vizinha da loucura. Todo apaixonado é um pouco maluco. Se o maluco tiver carisma, e senso de aministração, melhor ainda.
Hoje se encerra o prazo para a inscrição de chapas. Que se abram os portões do manicômico.
- Parabéns ao Palmeiras e ao Botafogo. Sem dúvida, como mostram os números, os melhores da Segunda Divisão.
- Enquanto o Londrina Esporte Clube esperneia atrás de um presidente, o Londrina Basquete, se arma para dar alegria à torcida.





