A técnica do ‘vamo lá’
De tanto assistir jogos de futebol e sem a menor pretensão de ser científico, e correndo risco (pequeno, acredito) de ser injusto, dá para dizer que os técnicos se dividem em dois grupos distintos. O primeiro, infinitamente menor, é formado por aqueles que realmente entendem do esporte. São os que estudam os adversários com critério, sabem posicionar seus jogadores, armar estratégias para surpreender o oponente. Esses cabem com folga nos dedos das mãos do presidente Lula.
Os demais, a grande maioria, se enquadram no que eu chamaria de grupo do ''Vamo lá''. São essas bandeiras da enganação nacional que têm como principal recurso estratégico o grito de ''vamo lá!'', dado naquele retângulo ao lado do gramado. Para não ser injusto, o ''vamo lá!'' não é o único recurso desses treineiros. Seria injusto com esses profissionais. Tem também o ''pega!, pega!, pega!''; o ''marca, marca, marca!''.
Aliás, antigamente, quando o treinador não podia ficar plantado ao lado do campo, eles até se preservavam, mesmo sem querer, pois não ficavam tão expostos. Com o advento do retângulo ao lado do gramado, suas qualidades - geralmente a falta delas - foram escancaradas pelas câmeras de TV. Ao perceberem a objetiva voltada para eles, viram atores de comédia bufa, gesticulam irados, fazem sinais incompreensíveis, berram para aquele jogador que está a 60 metros de distância passando instruções que ele nunca vai ouvir. Pior de tudo. Por essas ironias do destino, ultimamente estão sendo chamados de professor. Que maldade com os professores, eles não merecem essa comparação.
Para esses talentos holywodianos da farofa ao lado do gramado, o principal requisito para ingressar na promissora e rentável profissão é ter uma boa garganta. Não exatamente para expressar sua genialidade estratégica, mas para berrar o ''vamo lá!; pega!, pega!, pega!'' e terminologias afins. O interessante é que, por mais que o tempo passa, eles demonstram ser especialistas em passar o conto do bilhete premiado em dirigentes esportivos. Não há constrangimento.
Já os técnicos que poderiam ser chamados de professor, sem demérito para estes, sofrem com outros tipos de problemas. O mais grave deles é a pouca escolaridade dos jogadores, o que os impede de entender as estratégias, sua função em campo, posicionamento correto.
O que fazer então? A melhor alternativa, talvez a única que realmente funcione, é a educação. Portanto''escola neles''.
- O Corinthians acertou. Para um time formado quase que só por garotos, nada melhor que um Juninho de técnico.
- Foi a altitude de Cuzco, no Perú, ou a baixitude do futebol apresentado pelo Santos a culpada pela derrota dos brasileiros?
- Já o São Paulo, que vive de altos e baixos, se deu bem na altitude, goleando o The Strongest. Desclassificação só poderá ocorrer se o time, na próxima partida, for pego naquela fase baixa.

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