NA GERAL
A moça quer casar
O Londrina chegou naquele momento da vida de um solteirão que precisa decidir se quer mesmo casar ou vai ficar enrolando a moça indefinidamente. Explico: quando está na casa dela, com os pais do lado, o irmão pentelho fazendo marcação sob pressão, assistindo TV na sala, o garotão chega ao cúmulo de levantar e ir pegar cerveja gelada no freezer, chama a sogra de mãezinha, dá palpite no cardápio do almoço no domingão. Não que em casa ele seja folgado. É que com tamanha pressão, ele usa a familiar ginga do peladeiro brasileiro e joga bem, dá uns dribles na sogra, conta uma história para o futuro sogro, oferece um ingresso para o cunhado assistir o último Schwarzeneger, faz promessas de casamento para a noiva... e garante classificação para a próxima fase.
Promessas feitas no dia 1º de abril. Quando o avião desce no aeroporto na terra do adversário, o ar diferente promove mudanças nos conceitos do jovem mancebo. Longe dos olhos da família da moça, a primeira atitude do meninão alviceleste é tirar a aliança de compromisso do dedo direito e ficar atento para novas e descompromissadas aventuras. Todas as promessas feitas para a noiva e sua família ficam bloqueadas lá num cantinho escuro do cérebro.
- Casar? Eu? Tá maluco...
O Londrina também poderia ser comparado com aqueles valentões que só exercem sua valentia quando estão em turma. No Estádio do Café, com a torcida empurrando, o time é guerreiro, não perde jogo, algumas vezes até goleia, como os 4 a 2 em cima da Portuguesa. Quando está sozinho, em um estádio desconhecido, o valentão se acovarda, olha para a arquibancada e não encontra apoio, e apanha sem esboçar reação digna.
Amanhã a partida é contra o Paulista. Apesar da partida ser fora de casa (que medo que dá), chegou o momento de mostrar para a noiva que o compromisso é sério, é para classificar, buscar vaga na Série A, ir para a elite. Ou então desiludir a moça de uma vez, acabar com as esperanças dela e liberá-la para que possa conhecer alguém mais sério, que cumpra suas promessas.
- O jornalista Fábio Silveira quer direito de resposta pela brincadeira na coluna sobre seu glorioso e moribundo Grêmio. Sinto muito, mas o espaço destinado aos falecimentos, choros e lamentações é no caderno de cidades.
- A história do jogador Jefferson, relatada também aqui na Folha, comoveu seus amigos do futebol. O atleta, que já jogou pelo Bahia e Botafogo, entre outros clubes, sofre da síndrome de Behcet, que o fez perder os movimentos do corpo. Jogadores do Rio estão promovendo uma partida beneficente para ajudar a família do atleta. Merecem elogios.
- A Ferrari diz que a culpa da roda do carro do Rubens Barrichello quebrou porque ele deu duas freadas bruscas. Ah, bom! Isso significa que eu nunca vou poder ter uma Ferrari, não pelo preço que eu acho uma pechincha. Mas, imagine ter um carro que só aguenta uma freada!
Cláudio Osti - [email protected]





