NA GERAL
O Palmeiras e o árbitro
Liguei o computador, baixei os e-mails, e lá estava a mensagem de Ruy Lima, um amigo palmeirense preocupado com o que seria escrito nesta coluna sobre a vitória do Palmeiras, por 4 a 3, em cima da Portuguesa, no último sábado. Como não vi o jogo, longe de mim escrever alguma maldade. Porém, fiquei imaginando como teria sido a partida, assunto principal do final de semana.
E já que estamos numa democracia, e o papel aceita tudo, até o que eu escrevo, vamos divagar sobre o tema.
Teria mesmo o árbitro influenciado no resultado da partida? Há indícios celestiais de que sim. Vejamos o principal deles: os torcedores ovacionaram o nome do árbitro. Não, não, os torcedores palmeirenses não jogaram ovos no homem, mas sim gritaram elogios para ele. É ou não é um indício forte de que houve favorecimento. Ou alguém aí se lembra de algum dia que o juiz da partida foi elogiado pela torcida?
O árbitro mandou repetir uma cobrança de pênalti três vezes, até que o cobrador palmeirense finalmente vencesse o goleiro Gléguer, da Portuguesa. Mas a atuação do homem do apito não parou por aí. Prorrogou o final da partida até que o Verdão fizesse o gol de desempate, garantindo-lhe a vitória.
Tudo isso teria passado desapercebido se, naquele momento em que a bola entrou no gol, na terceira cobrança de pênalti, o árbitro não tivesse corrido para a rede, pêgo a bola, gritado gol e, num gesto ufanista, beijado o escudo do Palmeiras que estava debaixo de sua camisa preta.
Talvez o que incomodou os camaradas lusitanos tenha sido a entrevista coletiva ao final da partida. Ao lado dos jogadores do Palmeiras, na mesma mesa, o árbitro teria dado a seguinte entrevista.
- E a cobrança de pênalti? Pergunta o repórter.
- Veja bem, aquela foi uma jogada ensaiada. Eu e o Picerni sempre falamos para os nossos jogadores que é com a repetição que se consegue a perfeição. Quando o atacante foi fazer a primeira cobrança disse a ele que não se preocupasse pois se errasse, teria novas chances, até o Gléguer cansar..., disse o árbitro.
- E quanto aos quase 50 minutos de jogo no segundo tempo? perguntou outro repórter chato.
- Veja bem, eu me considero um artista e como todo artista imagino que é preciso transgredir, mudar, inovar. Por quê apenas 90 minutos de jogo? Porque não 150 minutos? Não devemos admitir essa escravidão do relógio. Não entendo o que vocês pensam. Por exemplo, me chamam de árbitro e eu não posso cometer nenhuma arbitrariedade. É um desatino. E tem mais, quem foi para Portugal perdeu o lugar.
- Mas isso não tem lógica! disse outro repórter.
- Olha aqui, lógica é para matemático, eu sou árbitro. E tem mais... Verddããããoooo, ôôôôôô, Verdãããoooo, ôôôôôô.... - teria finalizado o ilustre apitador.
Obs: O texto acima não tem qualquer compromisso com a verdade dos fatos até porque a verdade geralmente é muito chata.
- O Londrina venceu por 4 a 2 o Mogi Mirim e tem torcedor e cronista reclamando. É uma nação de descontentes.
Cláudio Osti - [email protected]





