NA GERAL
Dias de arrogância
Em qualquer profissão é preciso ter humildade. No futebol a palavra humildade faz parte do vocabulário diário da maioria dos atletas. Apesar de muitos deles não entenderem direito o peso que a palavra tem, ela é expressa em cada entrevista, em cada debate. Bem usada, a humildade serve, por exemplo, para que o sucesso não suba à cabeça e, em caso de insucesso, abre a porta para que se aprenda com os erros cometidos. Apesar de se martelar a tal da humildade a todo momento, correndo o risco de tornar a palavra sem a força que deveria ter, é sempre bom lembrá-la.
Se a humildade, bem dosada, é a palavra-chave para uma equipe de sucesso, outra palavra, arrogância, pode ser a barreira que impede as conquistas mais importantes. A arrogância é parceira do excesso de vaidade.
O leitor deve estar estranhando o motivo que me leva a escrever sobre arrogância e humildade. Engana-se aquele que acha que este artigo é mais um texto de auto-ajuda. Não é por acaso. Até porque não sou o mais indicado para ensinar nada a ninguém.
Há muito tempo no jornalismo em Londrina, converso diariamente com diversos companheiros de profissão. Como sou ligado ao esporte, é comum trocar informações com setoristas que cobrem o Londrina.
Nas últimas semanas eles têm percebido uma mudança mais acentuada no comportamento de membros da comissão técnica e alguns dirigentes do time com relação à imprensa. No tempo da minha vó, dizia-se, quando alguém agia assim, que o tal estava com o ''rei na barriga''.
O comportamento dessas pessoas, principalmente com a parte da imprensa mais independente, que não fica na rasgação de seda, nos elogios sem propósito, mostra que a convivência com a opinião divergente não é o forte deste grupo.
É um erro grotesco. Quem acompanha futebol sabe muito bem que o esporte é uma interminável gangorra. Um dia lá em cima, no outro, lá embaixo. O craque de hoje pode ser o perna-de-pau de amanhã. O técnico que se acha um gênio estrategista, não suporta três derrotas seguidas sem que a torcida o ''elogie'' calorosamente, quando não perde o emprego.
Portanto, neste momento que o time do Londrina entra na fase decisiva em busca da classificação na Série B do Brasileiro, seria interessante que esses membros da comissão técnica e dirigentes pensassem no futuro. Para ajudar, vamos a alguns ditos populares que cabem nesta situação: ''Nada como um dia após o outro'' e ''Prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém''.
- O técnico Vanderlei Luxemburgo reclamou que o São Paulo, do técnico Rojas, jogou muito fechado contra o Cruzeiro. Mas, desculpe a ignorância, Luxemburgo queria exatamente o quê? Que o Tricolor, ainda sem padrão de jogo definido, fosse para cima do Cruzeiro em pleno Mineirão, de peito aberto? Logo contra o líder da competição? Então tá?





