Estádio sim, TV não

Não tem transmissão de televisão que se iguale à vibração, à energia e à diversão que é assistir uma partida de futebol num estádio. É um dos poucos lugares onde você encontra pessoas de todas as classes sociais sofrendo igual, xingando igual, festejando igual, torcendo pelo seu clube.
Está certo que tem gente que chega de BMW, Mercedes, carros populares e até espremido no Gol (Grande Ônibus Lotado). Mas, independente de como você chegou, depois que coloca a bunda (no caso dos endinheirados poderíamos usar outros termos como glúteos ou nádegas) na arquibancada, o poder do dinheiro, a escola sofisticada, o curso de pós-graduação na Europa, o carteado no tunguete, tudo é esquecido. Todos são iguais ao criticar aquele árbitro que só porque o nosso lateral deu um toco no atacante deles, fazendo voar a caneleira do adversário, sangrando parte da perna e arrancando um metro quadrado de grama, deu falta próximo da área que acabou resultando no primeiro gol da partida.
Por outro lado, o pênalti duvidoso, marcado no último minuto da partida, redime o árbitro-herói. A explosão de alegria no momento do gol do seu time, a tensão, esse clímax, você só encontra no estádio.
Em casa você se esparrama no sofá, prejudicando a sua coluna vertebral, pega o controle remoto, coloca o saco de pipoca feito no microondas, e se prepara. Dez minutos de jogo e seu filho quer saber se não dá para mudar de canal que ele quer ver desenho.
- Não, não dá. Hoje é domingo e a TV é do pai.
O atacante chuta, a bola segue sua trajetória em direção ao gol e quando o ato vai ser consumado... sua filha passa entre você e a televisão.
- Perdi o gol de novo, droga.
Tudo bem que já inventaram o replay, mas não é a mesma coisa. É o mesmo que rir da piada duas horas depois, sozinho no banheiro.
Minutos depois, parece até cronometrado, a mulher reclama:
E aí, hoje é domingo, não vai comparecer?
E você, na maior cara-de-pau:
Só depois do futebol, isso se meu time ganhar, caso contrário, considere-se descomparecida.
Confesse, quantas vezes isso não aconteceu na sua casa?
No estádio não, você se concentra no jogo, mas também pode desconcentrar-se olhando as jovens que, cada vez mais, comparecem aos jogos. A pipoca é feita daquele jeitinho antigo, com óleo; a cerveja quando está gelada, está morna; e quando está morna está quente; gelada, gelada, só quando você acerta a sorte grande você ainda vai estar lembrando dela no dia seguinte.
E, em Londrina, você ainda tem uma vantagem extra. Mesmo que não compre ingresso antecipado ainda é possível chegar ao estádio e encontrar cambistas caridosos que vendem ingressos mais baratos do que na bilheteria.
Agora, se você quer ficar em casa, esparramado no sofá, babando no travesseiro...

Cláudio Osti - [email protected]

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