NA GERAL
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segunda-feira, 16 de junho de 2003
Cláudio Osti 
A linha que separa o céu do inferno
No futebol a linha que separa o céu do inferno é tênue. Os atacantes estão mais perto do céu. Fábios Juniores, por exemplo, matam a bola na canela, tropeçam na redonda, erram gols incríveis, perdem jogadas bobas, mas quando conseguem colocar a bola na rede parece que São Pedro abre as portas celestiais. O céu se reflete nos contratos, geralmente com valores maiores do que os demais jogadores. Veja o caso de Romário, o ex-craque. Não participa de partidas há anos, mas faz gol. Fica lá, quietinho, esperando uma sobra. Enquanto isso os demais companheiros, correm por ele, lutam por ele. De quem é o maior salário? Nem precisa falar.
Já outro grupo está sempre mais perto do inferno. Nesta categoria se enquadram os goleiros e zagueiros. Nenhuma outra função dentro das quatro linhas está tão próxima do caldeirão ardente do demo como estas duas. O goleiro pode fazer defesas extraordinárias durante todo um campeonato, salvar seu time inúmeras vezes, fazer milagres, mas é o frango que ele tomou naquele jogo inexpressivo contra o varzeano que a torcida vai lembrar, rememorar e comentar nos bares da vida.
O zagueiro é a mesma coisa. Pode limpar a área, barrar atacantes habilidosos, mas quando comete um deslize o nome dele é grafado com sangue no purgatório. Jean, do São Paulo, que fez o gol da vitória domingo contra o Corinthians, para a alegria do jornalista Jairo Gomes, entrou para a lista negra da torcida tricolor também por causa do mesmo Timão. Ao tentar proteger a bola, num jogo contra os corintianos, bola que ele poderia ter chutado para escanteio, lateral, o raio que o parta, foi ludibriado por Liedson que tomou-lhe a pelota resultando num gol. Foi a gota dágua. Abraçou o coisa ruim por meses a fio. No domingo o gol foi o exorcismo que ele precisava.
Paulo Almeida, do Santos, não é zagueiro ou goleiro, mas, com sua desastrada jogada na partida contra o São Caetano, sentiu o tridente do capeta. Ele podia fazer o simples, o arroz com feijão, atrasando a bola para o goleiro Fábio Costa. Não fez. Possuído pelo pecado da soberba, achou que tinha habilidade suficiente para comer camarão na moranga e enganar o atacante do Azulão. Não conseguiu. O nome dele será lembrado por muito tempo pela lambança que proporcionou a derrota de seu time.
No sábado foi a vez do volante Dário, do Londrina, sentir na pele a chama do inferno. Numa cobrança de escanteio, ao tentar tirar a bola com a cabeça, ele fez um golaço para o Sport Recife, seu ex-clube. Lembrei de meus melhores momentos. Dário teve sorte, o LEC conseguiu empatar. Sentiu o bafo quente, mas não entrou no caldeirão. Foi salvo pela fumaça, digo, pelo atacante Fumaça que calou a Ilha do Retiro.
n Hoje o Londrina enfrenta o Joinville, em Santa Catarina e, como falamos tanto em céu e inferno, não está na hora do Tubarão se benzer, tomar um banho de arruda? A última vítima das contusões foi Paraguaio, que machucou o joelho.


