NA GERAL
Cartola só no circo, na cabeça de palhaço.
Até porque quase ninguém mais usa é bom explicar: cartola é um tipo de chapéu sofisticado; uma peça de vestuário usada na época dos nossos avós, talvez bisavós, em eventos especiais. Era uma peça para rico. Pobre usava chapéu mesmo ou um boné para cobrir a cabeça. Também não tenho a menor idéia do motivo, mas os dirigentes esportivos passaram a ser chamados de cartolas. Estranho esse apelido, melhor dizendo, alcunha.
Estranho porque se imagina que a sofisticação traz a nobridade, o fazer correto. Curiosamente isso não ocorre. Nobridade e correção são palavras pouco conhecidas pelos nossos cartolas. Os jornais, mesmo que tentem, não conseguem dar manchetes positivas sobre os cartolas. Não que os jornais não queiram. Muito pelo contrário, seria bom dar notícias edificantes sobre esses cidadãos que comandam o esporte mais popular do País.
Mas eles sempre conseguem. Suas ações, no momento de afirmação que o País vive, são tão fora de moda como a própria cartola, usada hoje em dia apenas pelos palhaços em picadeiro de circo.
O episódio protagonizado pelos cartolas na quarta-feira, por causa do Estatuto do Torcedor, foi grotesco em vários aspectos. Primeiro porque o tema vinha sendo discutido há meses. Depois porque, como nos tempos da casa de Maria Joana, acharam que iam poder chutar a lei, chantageando o governo com a paralisação do Campeonato Brasileiro. Não conseguiram. Tiveram que engolir.
Está na hora do esporte, não só o futebol, entrar na era da profissionalização. Está na hora do cartola ser colocado no cabide do museu mais próximo. Está na hora da palavra cartolagem ser apenas um termo para se pesquisar no dicionário.
- Sempre que há uma derrota, o jogador de futebol tem o hábito, antes mesmo de deixar o gramado, de dizer que ''isso é coisa do passado, precisamos pensar na próxima partida...'' O Londrina não perdeu para o Brasiliense na última rodada e mesmo assim não conseguiu deixar a partida no passado. O fato de ter empatado, depois de estar ganhando por 3 a 0, em casa, deixou jogadores e torcida com a memória mais em dia do que nunca. O time entra em campo amanhã contra o Náutico, em Recife, pressionado pelo empate em casa. O nome do estádio do adversário do Londrina é bem próprio para o clima do Tubarão hoje: ''Aflitos''.
- Podia ser melhor para o Santos, não fosse a apagada, quase nula para ser mais exato, atuação do atacante Robinho. No primeiro tempo contra o Cruz Azul, do México, ele perdeu duas chances claríssimas de gol. Ele também matou, pelo menos, dois contra-ataques. Por outro lado, o gol de empate, que fechou o placar, poderia não ter acontecido. Se o árbitro tivesse dado a falta o jogador Willian, do Santos, tirou cera do ouvido do goleiro do Cruz Azul, com o bico da chuteira no lance que antecedeu o gol, o Peixe teria mais problemas ainda no jogo de volta, na Vila Belmiro.





