Corintianos só vão poder comer churros

  Se fosse uma refeição rápida no boteco Carlos Gardel, lá na região do Morumbi, em São Paulo, dava para dizer que o River Plate tirou a azeitona da empada do Corinthians, ou seria o camarão da paella? Se o corintiano preferisse um doce, teria que se contentar com o churros, pois o sonho acabou. Pior do que isso, o confeiteiro demora para refazer o estoque.
  Ontem alguns torcedores, os poucos que conseguiam balbuciar palavras mais otimistas, diziam ‘‘...ah, é apenas um torneio sul-americano’’. Palavras, obviamente, forçadas, ditas entre um soluço e outro. A Libertadores é a espinha de peixe espetada na garganta dos alvinegros. Há muito tempo eles lutam para colocar a mão nesta taça. Ainda não foi desta vez, para delírio das torcidas adversárias.
  A Taça Libertadores é importante porque o vencedor ganha o direito de disputar com o campeão da Copa dos Campeões da Europa o título interclubes, no Japão. Santos, Palmeiras, Grêmio, Flamengo e São Paulo já estiveram lá. Apesar dos corintianos, quando perdem, refutarem a importância do título, o fato é que ele dá ares de time internacional à equipe vencedora, coisa que o Timão não tem. Como dizem os adversários, falta carimbo no passaporte do Corinthians.
  Na partida de quarta-feira, faltou também futebol. O técnico Geninho não honrou o nome. Talvez deveria se chamar Genioso. O microfone aberto da TV, à beira do gramado, captou nitidamente a palavra ‘‘pega’’, berrada por Genioso. O lateral Roger ouviu o comando e, no mesmo instante, deu um pontapé num jogador argentino. Foi para a ducha mais cedo.
  Curioso mesmo foi a explicação do narrador: ‘‘Quando o Geninho disse pega foi no sentido de marcação...’’ Ah, bom.
  O fato é que o Corinthians não quis jogar futebol. Quis mostrar quem é que manda. Mostrou. Ficou claro que quem manda é o River que colocou a bola no chão e perdeu várias oportunidades de ampliar o marcador.
  O Timão deveria comemorar por não ter levado uma goleada. O zagueiro Anderson, que deu uma cotovelada no rosto de um atacante argentino, e seu companheiro Fábio Luciano, que aprontou muito também, tinham que orar para Santa Evita Peron, por não terem sido expulsos.
  Saiu barato. Timão apresentou futebol de lojinha de R$ 1,99. Voltou para a fila.
n É impressão minha ou vi uma lágrima caindo pelo canto esquerdo do corintiano ilustre?
n Soluços ecoam pelo ar. Alvinegros buscam consolo (no bom sentido, mentes poluídas).
n Encerra hoje a inscrição para quem quer se candidatar a jogador do América do Rio. Quem se habilita?
n Roberto Fernandes, técnico do Londrina, estava bravo ontem. Não gostou da entrevista dada ao repórter Guilherme Gouveia, pelo meio-campo Marcos Cruz. Ele tem todo o direito de não escalar o jogador – apesar de Cruz ser muito melhor do que alguns dos manés que ele já colocou no time –, mas não tem mais idade para fazer birra.

mockup