Escolinha do Verdão

  Cabisbaixo, olheiras, cara nada amiga, o professor Jair Picerni entra na sala de aula. No mínimo levou uma bronca do diretor ou alguém teria xingado a mãe dele e não teve como revidar..., ou também pode ser outra coisa. Vai saber o que se passou pela cabeça de Picerni depois de ter levado seus garotos para passear no Parque Antártica e conhecer o Vitória da Bahia.
  – Ai que saudade da escola São Caetano, rememora ele. Isso deve ser praga do diretor Neto por ter deixado a escola Guarani logo no início das aulas...
  Mas como tem dia que de dia é assim mesmo ele precisa enfrentar a manhã que se inicia. Picerni olha para os alunos e bate a régua no quadro:
  – Tec, tec, tec... A prova de ontem foi uma lástima. Parece que quanto mais eu ensino menos vocês aprendem. Se continuar assim nem jogador de futebol vocês vão poder ser..., quando muito, cronistas esportivos!
  – Vamos lá, aula de matemática. Todos juntos vamos contar. Um a zero, dois a zero, três a zero, quatro a um, cinco a um seis a um, sete a dois. Entenderam? Não entenderam? Como não entenderam? Desse jeito vocês que já estão no purgatório da segunda época podem ir para o inferno da Terceira Divisão. Bom, sei lá, tem gente que não acredita em inferno... até entrar nele.
  O professor Jair olha em volta e tem a nítida impressão que seus alunos parecem coruja conversando com papagaio, prestam a maior atenção mas não compreendem nada. Por isso tenta outra disciplina.
  – Vamos falar sobre a vida no campo: Marcos, você já viu um frango?
  – Vi professor. Não só vi como já engoli muitos. O problema é que são indigestos. Ontem, por exemplo, engoli alguns com pena e tudo. Foi duro passar pela garganta.
  – Vocês precisam reagir, diz o professor. Thiago, deixa de ser tão gentil; Neném, você não é mais criança; Gustavo pare de dar pontapé em seus amiguinhos que você acaba expulso da brincadeira e prejudica seus colegas.
  Quando parece que os alunos começam a entender o recado do professor Picerni, ele se empolga e coloca tudo a perder.
  – Vamos estudar um pouco de português. Como se escreve Nádson....
  O silêncio da sala é quebrado pelo choro convulsivo dos alunos e pelas lágrimas caindo no chão.
  Mustafá peça demissão, demita o professor, contrate um terapeuta, o mago Merlin, o Homem Aranha... faça alguma coisa.
n Alguém avise o zagueiro Turato, do Londrina, que o campeonato que o time vai participar é de futebol e não de futebol americano.
n É show a parceria entre o Londrina e a Folha. Assinantes ganham, quem compra o exemplar do jornal na banca ganha e o Tubarão ainda reforça seu caixa e aumenta sua torcida.

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