NA GERAL
Discurso novo, mas cuidado com o excesso de entusiasmo
Ontem estava circulando na redação da Folha um caderno especial produzido pelo jornal, que estava no arquivo, sobre a conquista do Campeonato Paranaense pelo Londrina em 1981. A partida final foi contra o Grêmio Maringá, vencida pelo LEC por 2 a 1. Uma das coisas que mais impressionam nas fotos do caderno era a torcida no Estádio do Café. Parecia que não cabia nem mosca nas arquibancadas. Carlos Alberto Garcia, o Beijinho, fez o gol do título. Era um time com jogadores de muita habilidade como o ponta Carlos Henrique e o meia Zé Roberto.
Falta pouco para começar mais um Brasileiro da Série B. Para quem não sabe, o Londrina foi o primeiro campeão da Taça de Prata, equivalente a Segundona hoje.
Esse preâmbulo todo (fazia tempos que eu queria usar a palavra preâmbulo e não conseguia) foi para dizer que antes de qualquer competição existe a expectativa de ser campeão. Quem é campeão entra para a história, sai na foto, dá autógrafo na rua e participa do preâmbulo.
O Londrina ainda venceria o Paranaense de 1992. Mas de lá para cá, tudo mudou. Em 2002 e nos anos anteriores, o discurso da diretoria e dos jogadores era sempre o mesmo: montamos um time para não cair. Ser campeão para quê? Discurso ridículo. Imagine um lutador de boxe, antes de subir ao ringue dizer que sabe que será nocauteado mas espera apanhar pouco.
O discurso mudou e até já provocou algum efeito. O Londrina conseguiu ficar em terceiro lugar no Paranaense, atrás do campeão Coritiba e do vice Paranavaí. Pelo futebol apresentado pelos finalistas da competição não dá para ter muito entusiasmo. Mas foi um avanço. Há muito tempo o LEC não ficava entre os quatro primeiros do Estado.
O entusiasmo, porém, precisa ser dosado. Entusiasmo ajuda mas não resolve. Eu vivo entusiasmado e nem por isso a Daniela Cicareli quer sair comigo.
O Londrina atual tem boas chances de fazer um bom papel no Brasileirão. Os próprios jogadores e diretoria estão acreditando nisso, ou pelo menos tentam demonstrar isso. Mas, moderação e canja de galinha não fazem mal para ninguém. Falta ao Londrina ainda um algo mais, alguns jogadores mais refinados no toque de bola e na conclusão das jogadas. Sem isso, possivelmente, será um ano de discurso novo e só.
n Torcedor do Coritiba já deve estar aplaudindo a fórmula do Campeonato Brasileiro em turno e returno. Com tantos jogos pelo Brasileirão há chances de inverter a tabela. Hoje o Coxa só aparece nas primeiras colocações se colocar a tabela de cabeça para baixo. O torcedor pode até dizer que o time jogou bem na derrota para o Cruzeiro por 4 a 3. Não é bem assim. Falta muito, mas muito mesmo para a equipe ser competitiva. Faltam alguns atletas mais refinados.
n Para quem vai o troféu Canela de Vidro no Londrina? Façamos as apostas. Nomes podem ser enviados a esta coluna.





