NA GERAL
Clima de velório
Colocar a camisa, o calção, amarrar a chuteira e entrar em campo. Um prazer para a maioria dos praticantes do nobre (quem será que disse isso?) esporte bretão. Dizem que futebol é igual a sexo e pizza: mesmo quando é ruim, é bom.
Agora imagine a cena (esqueça, o que vem aí não é uma cena de sexo, isso aqui, para quem não sabe, é uma coluna bem família): vestiário de visitantes no Estádio Pinheirão em Curitiba, os jogadores da Portuguesa Londrinense começam a se preparar para entrar em campo. Fisionomias tensas. Nos ombros o peso de não ganhar uma partida oficial pelo Campeonato Paranaense desde março de 2002 foram 16 jogos sem sabor de vitória, mostrando um futebol bizarro. A lanterna da competição queima nas mãos dos jogadores que honram a camisa que vestem. Já os outros devem usar luvas de amianto nas mãos e óleo de peroba no rosto e não se preocupam com o calor da lanterna.
No vestiário ao lado, ocupado pelo dono da casa, o clima de velório é o mesmo. Jogadores do ex-poderoso Paraná Clube também se preparam. Serão 90 minutos da mais pura agonia. Várias vezes campeão paranaense desde a sua fundação, o ano de 2003 vai ficar em sua história, mesmo que vença a partida, pelo mico que está passando.
O Tricolor de Curitiba está numa situação menos ruim, um empate o mantém na primeira divisão do Estadual. Uma derrota para a Portuguesa, no entanto, fará a casinha paranista cair.
Já a Portuguesa terá que fazer o que ainda não conseguiu nesta competição: vencer. Pode acontecer? É claro que pode. Vai acontecer? Só quem sabe é o oráculo Pai Osvaldo, de Bela Vista do Paraíso.
Antes de entrar em campo, mais do que o aquecimento físico, seria interessante os jogadores fazerem um aquecimento espiritual. Só com uma mãozinha lá de cima a Lusa sai desse buraco.
- Torcedor do Londrina ainda acha que está sonhando. Não se lembra a última vez que o Tubarão não precisou de calculadora para se classificar. E olhe que as chances de ficar entre os quatro primeiros e obter vantagens para a próxima fase são grandes. Nem o Londrina é mais o mesmo.
- São tantos os pontos de venda de ingresso do Londrina que se cada um vender uma meia dúzia o VGD vai lotar no domingo na partida contra o Malutrom. É hora de faturar.
- O técnico Ivair Cenci, do Vila Nova, diz que tem propostas de vários clubes caso queira deixar seu atual time nenhuma proposta do Londrina, espero. É, o mundo está de cabeça para baixo mesmo. Daqui a pouco ele está na seleção.
- Se o São Paulo tiver jogadores diabéticos é bom ficar atento. É bom reforçar o departamento médico. Não é todo dia que se ganha um chocolate desse tamanho. Chocolate São Raimundo, um produto da zona franca de Manaus.
Cláudio Osti - [email protected]





