NA GERAL
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terça-feira, 19 de novembro de 2002
Cláudio Osti - [email protected] 
A culpa deve
ser do Abreu
O jogo só termina quando acaba. Ou só acaba quando termina. Depende sempre do ponto de vista, da forma como se queira escrever a frase ou mostrar uma situação. Para os palmeirenses, por exemplo, não há qualquer sentido em ficar discutindo o que se propôs no início deste artigo. Afinal, desde domingo eles têm bem mais o que fazer, como comprar mais lenços de papel; colírio para os olhos vermelhos, devido às lágrimas vertidas por um defunto ruim; evitar os amigos no escritório, nas ruas e, principalmente, nos bares; descobrir a chapa do caminhão que os atropelou.
A capa da Folha, na edição de ontem, mostrava o desespero de um torcedor do Palmeiras. Desespero de saber que, no papel, o Verdão é muito melhor do que muitos times que permaneceram na Série A e, mesmo assim, caiu como folha no outono. Veja alguns dos medalhões: Marcos (goleiro da seleção), Zinho (ex-enceradeira da seleção), Arce (seleção do Paraguai), Dodô (que já vestiu a amarelinha) só para citar os com maior expressão. Então o que aconteceu?
Dizem que a culpa é do Luxemburgo (independente de tudo, ele sempre é culpado) que desmontou o time do ano passado e deu o fora no início da competição. Dizem que a culpa é do Mustafá Contursi, um presidente com conduta nada exemplar que optou por mudar o comando técnico da equipe várias vezes durante a competição não dando qualquer chance para que o time tivesse um padrão de jogo definido. Dizem que a culpa é da desunião do grupo; da bola que, por ser redonda (não para todos) insistia em entrar no gol palmeirense desrespeitando até o pentacampeão Marcos. A bola é justa. Dá alegria para quem a trata bem. Despreza os que a tratam mal.
Até gostaria de mostrar aqui o lado bom de cair para a Segunda Divisão, mas como não encontrei nenhum, vou ficar devendo.
Para os outros times da Segundona do Brasileiro, o tombo palmeirense, mais que o da Portuguesa e do Botafogo do Rio, é um alento por dias melhores. Melhores cotas de patrocínio, melhores cotas de TV, melhor qualidade técnica para os amantes do futebol que sofrem com seus times na Série B.
- Um abraço para os jornalistas Rogério Fischer, Paulo Briguet e Rodrigo Lima, que devem ter tentado acabar com o estoque de cerveja de Londrina para afogar as mágoas pela derrota do Palmeiras. O problema é que essa mágoa usa colete salva-vida e não se afoga de jeito nenhum. Portanto, desce mais uma.
- Os times do Paraná no Brasileirão foram um vexame. O Londrina escapou por um ponto do rebaixamento tendo, segundo seus dirigentes (ai meu Deus), cumprido sua missão. O Paraná Clube ficou no fio da navalha até o último minuto, com um pé na Segundona. O Atlético, campeão brasileiro, não honrou o título duramente conquistado em 2001 e o Coritiba se borrou todo nas últimas partidas terminando por se lambuzar na última rodada ao levar uma surra do rebaixado Gama.


