Medalha para a torcida e
estátua para os dirigentes

Em várias competições, para incentivar a garotada que está iniciando a vida de atleta, os organizadores premiam com medalhas mesmo aqueles que não sobem no pódio. É a medalha de honra ao mérito. O garoto se sente feliz, mostra para os amigos, pendura na parede do quarto leva bronca da mãe quando o prego estraga a pintura , e vai continuar treinando para na próxima competição ganhar uma medalha melhor, quem sabe a de ouro.
Torcedor do Londrina também deveria ganhar medalha de honra ao mérito, alguns a de bronze, outras a de prata e uns poucos a de ouro. Na noite de quarta-feira depois do empate entre Londrina e CRB, no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), os 900 e poucos pagantes que enfrentaram um frio danado fora de época deveriam ter deixado seus nomes e endereços na bilheteria. Daqui a duas rodadas, quando o time colocar as pantufas para descansar até a próxima temporada, cada um dos torcedores deveria receber uma medalha.
São heróis. Pagam para ver futebol profissional e só vêem peladeiros. Esperam habilidade e só encontram caneleiros. Mesmo assim, rodada após rodada, estão lá para expressar seu amor e seu ódio ao Tubarão. ''Nunca mais eu volto'' e na partida seguinte veste a camisa alviceleste e ''vamos ao VGD, hoje acho que dá''. Merecem medalhas, se fosse possível, todas de ouro. São uns vencedores.
Dirigente também poderia ganhar uma, quem sabe. Poderíamos até dar um nome a ela, como um título honorífico. Poderia ser ''O Cartola Paciente''. Não há notícia de cartolas tão pacientes como os do Londrina, que aguentaram sem reclamar, pelo menos em público, a mediocridade do time. Quem sabe ainda uma estátua no VGD para homenagear o ''Futebol Desconhecido'', onde todos os anos, no final da temporada poderiam ser depositadas flores, velas acesas, oferendas pelas graças recebidas...
- Se bola fosse gente a que foi usada no jogo de quarta-feira no VGD poderia, por exemplo, ter direito a viajar pelo mundo de graça, só usando a milhagem oferecida por empresas de aviação, tanto foi o tempo em que ela ficou no ar durante a partida. Chegou a dar torcicolo no torcedor.
- Os dois atacantes do Londrina, Reginaldo e César, conseguiram uma proeza. Passaram os primeiros 45 minutos de jogo sem terem dominado uma única bola.
- Já o goleiro Serginho, o lateral Jamur e o meia Wésley devem estar com problema na coluna de tanto carregar o time e o técnico nas costas.
- A Portuguesa Londrinense, com seu sempre comedido dirigente Amarildo Vieira, começa a trabalhar pensando no Paranaense. As diabruras do dirigente estavam fazendo falta no cenário de Londrina.

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