É preciso manter a pose

Quando perguntavam ao filósofo Célio Guergoletto, ex-vereador em Londrina, e hoje comentarista político, porque o Londrina, mesmo estando em situação financeira deprimente, antes das partidas concentrava o time no melhor hotel da cidade, ele dizia: ''Estamos quebrados mas temos que manter a pose''.
Dia destes recebi um e-mail que falava sobre a postura de vencedor que todos devem ter se querem chegar a algum lugar. É preciso pensar grande. Sonhar e buscar realizar, entrar para a história. Não, ao contrário do que você está pensando isso não é uma crônica de auto-ajuda. Voltemos aos fatos. Alguém aí ouviu falar de Alexandre, o Pequeno. Talvez o Alexandre, o Médio. Não? Pois é, ninguém ouviu. Mas Alexandre o Grande, rei da Macedônia, que conquistou tudo o que tinha à sua volta, esse todos ouviram falar. O homem pensava grande, queria ser o imperador do mundo. Esse pensava grande mesmo. Mas foi assim que entrou para a história.
Quando um time entra em campo, independente da modalidade, se o pensamento é de perder de pouco, não dar vexame, segurar as pontas, ver o que acontece, qual o resultado mais provável da partida?
Corrida de 100 metros. Alguém já viu um campeão correr olhando para trás para não chegar em último? Não, é claro. O cara quer mais é olhar para a frente e atropelar os adversários.
Vejamos o Juventude. É uma equipe sem estrelas, mas com um bom esquema tático e muita vontade de vencer. O resultado é que está sempre brigando pelas primeiras posições. É um time que entrou para ganhar a competição, a meta é essa.
Outro caso é o Atlético Paranaense, campeão de 2001. O rubro-negro, há um bom tempo mantém a postura de vencedor, mesmo quando não vence. Sonha alto, sonha com títulos. Entra na briga para vencer e não para apanhar de pouco.
Vejamos o caso inverso, como o Londrina (é uma observação, não uma crítica, pois se não os dirigentes do time se ofendem). O Tubarão entra ano sai ano e as declarações são sempre as mesmas: temos que manter nossa vaga na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Com uma postura assim, ele, com certeza, está mais perto da Terceirona do que do grupo de elite. Traduzindo, o Londrina, campeão da Taça de Prata, campeão paranaense, quarto colocado no Nacional de 77, perdeu a pose.
- Como na minha contabilidade bola que bate nas costas de jogador não dá direito a este de reivindicar o gol, o Londrina deve estar entrando para o livro dos recordes. Já são 16 partidas sem marcar nenhum gol. Acho que nem o ataque do Íbis ficou tanto tempo sem balançar a rede.
- Não dá para explicar a inoperância do ataque, mas algumas coisas são, digamos, atenuantes. ''Se o atacante Paraguaio guardasse todos os tijolos que ele recebe do meio-campo do Londrina, daria para construir um novo estádio no lugar do VGD'', comenta um amigo, rato de arquibancada.
- Ia esquecendo que é preciso elogiar o Tubarão para não dar problema. Então vamos lá. Foi tão bonita a derrota do Londrina para o América.

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