NA GERAL
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de outubro de 2002
Cláudio Osti - [email protected] 
O Londrina vive
num mundo lindinho
O Londrina é bonitinho. Para falar bem a verdade, é lindinho, lindinho mesmo. Os diretores do clube são simpáticos e democráticos. O preço do ingresso é baratinho. Nos jogos noturnos do time o céu está sempre sem nuvens e estrelado. Aos olhos dos cartolas, a equipe lidera a competição mesmo que os demais clubes não saibam disso.
Agora é assim. Não se pode fazer críticas ao Londrina. O treinador é maravilhoso. O atacante Nenhunzinho voltará a ser o Neizinho. A equipe não é uma filial do Grêmio Maringá. Placar de 1 a 0, favorável ao Tubarão, terá como manchete: Londrina goleia mais um.
Torcedor que é torcedor tem que aplaudir sempre. É preciso acreditar. O estádio VGD é um templo de oração. Os mais religiosos ficam à beira do alambrado com os olhos vidrados, gritando sempre: ''Ai meu Deus... Ai meu Deus...'', tudo em nome da fé.
Antes de continuar com os elogios, agora necessários para que os dirigentes fiquem felizes, uma última pausa para uma observação veja bem, não escrevi a palavra crítica e sim observação. Ontem os cartolas do Londrina baixaram uma norma restringindo o acesso dos jornalistas às dependências do clube; proibiram funcionários de dar informações, sob ameaça de demissão por justa causa. Nem fotógrafo pode entrar no gramado em dia de treino para fotografar os jogadores. Em dia de jogo as entrevistas terão um tempo limitado, 15 minutos para o rádio, 15 minutos para os jornais e 15 para as tevês.
Vejamos como vão funcionar as novas regras. O repórter de rádio, quando termina o jogo conversa com vários jogadores e com o técnico para que eles analisem o resultado, etc. Tudo isso em 15 minutos? Duvido. É um contracensi, digo, contracenso. O torcedor vai ficar sem saber a opinião dos participantes do espetáculo. Mas quem se importa com isso? Os dirigentes não. Afinal, torcedor é só o cara que passa no guichê e paga 10 paus para entrar no estádio.
O marketeiro do clube vai vender patrocínio na camisa do time. Chega na empresa fala com o empresário e faz a proposta. Antes de fechar o contrato o empresário pergunta: qual vai ser o meu retorno de mídia? Quantas vezes a minha marca vai aparecer nas páginas dos jornais e nas emissoras de TV?
Veja bem diz o esforçado marketeiro já ciente das novas regras não dá para saber já que normatizamos a norma e estamos revolucionando as estratégias da marquetologia espacial dificultando as fotografias dos jogadores em dia de treino e em jogos, portanto sua marca, veja bem, pois então fica assim e pode até ser que, num lance de sorte, um fotógrafo mais afoito, contra as regras do clube, possa conseguir fazer uma imagem lá de fora, da arquibancada, e se não chover...
Veja bem diria o empresário já que é assim, passe no próximo século, se não chover.
Mas como eu ia dizendo no início do artigo: o Londrina é bonitinho, todo mundo é simpatiquinho...


