Não mereceu, mas e daí?


Ainda bem que jogo de futebol não se ganha por merecimento. Pelo menos não sempre. Se fosse assim, hoje estaríamos lamentando a derrota do Brasil. A Bélgica teve mais chances de gol do que os brasileiros, pressionou mais, incomodou mais. Mas, e daí? Ronaldo e Rivaldo garantiram os gols e o goleiro Marcos, o bicho do dia.
Marcos foi, realmente, o nome do dia. É lógico que o gol do Rivaldo foi daqueles que fazem valer a pena aguentar 90 minutos de agonia e sofrimento. Mas foi Marcos que salvou a pátria. O goleiro do Palmeiras ainda causava desconfiança em parte da torcida. Nas três primeiras partidas do Mundial foi pouco exigido e, nas eliminatórias, ficou longe de ser brilhante.
Ontem, porém, fez relembrar o ‘São Marcos’ dos velhos tempos do Verdão.
Apesar do ufa!!, estamos nas quartas-de-final. O Brasil, que melhorou sensivelmente a defesa, piorou no meio-campo. Felipão, sem contar para ninguém, colocou Edmilson atuando como volante. Por isso não se viu tanto Roberto Carlos e Cafu no ataque. Ele manteve os laterais um pouco mais presos. O motivo é evidente: acabou a fase da galinha morta. Agora, um vacilo e o retorno para casa é imediato.
No meio-campo faltou aquele maestro para organizar as jogadas ou, como dizem os boleiros ‘‘trabalhar a bola’’. Os atacantes receberam poucas bolas redondas.
A sorte poderia ter sido um pouco melhor se Denilson, do qual sou fã, tivesse numa jornada menos fominha. Em pelo menos duas ou três oportunidades ele poderia ter deixado os atacantes na cara do gol. Mas, preferiu dar mais uns 300 dois dribles, antes de perder a bola. Diferente dele, o meia Kléberson, o rei de Uraí, entrou e foi muito mais objetivo. Dos pés dele nasceu o gol da vitória brasileira.
A próxima parada é a Inglaterra. E não tenha dúvida, vai ser uma parada dura. A Inglaterra não é um time excepcional, longe disso, mas parece ser mais equilibrada e entrosada. São escolas muito diferentes e que tem muita história no futebol. Mais uma madrugada de agonia e, quem sabe, de festa, prá nós, é claro.
- Uma solução para Denilson, que só entra mesmo no segundo tempo, é obrigá-lo, durante a primeira etapa da partida, a ficar driblando incessantemente um sparring qualquer, para matar a vontade. Depois que eles estiver saciado, colocar em campo contra os ingleses. Quem sabe assim ele não solta a bola e deixa os outros brincarem também.
- O Londrina começa a pensar em contratações, surgem alguns nomes, comissão técnica, inter-temporada, aquelas coisas de sempre. É só começar o barulho e o torcedor já volta a ficar animado, quer saber informações, renova as esperanças. Torcedor é torcedor, sempre.

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