Dizem que há males que vem para o bem. Está certo que também há males que vem para males maiores ainda. Mas vamos ser otimistas e pensar na primeira hipótese. Os dirigentes do futebol paranaense fizeram uma grande besteira em organizar o tal Supercampeonato com tão poucas datas – a primeira fase só tem três rodadas. Isso significa que o futebol vai parar para a maioria dos clubes do Paraná por dois meses ou mais. É muito tempo para manter um time inativo, pagando salários – os que pagam é claro.
Por outro lado, para alguns clubes como o Londrina, que estão inativos há vários meses, os mais críticos dizem que há anos, é um bom negócio. Pois bem. O Campeonato Brasileiro só começa em agosto. Seria um bom momento para esses inativos procurarem um analista, tomarem chá de catuaba, um viagra básico talvez. É o velho ditado: pior que pela primeira vez você não dar a segunda é pela segunda vez você não dar a primeira. É assim que os torcedores do Londrina estão vendo o time. O Tubarão não empolga, não causa suspiros, é mais fácil provocar infartos como na derrota por 4 a 0 para o Iraty, no domingo.
Serão dois meses para pensar no que fazer, e há muito o que fazer. Conversar com os jogadores para saber se eles preferem futebol ou bilhar, pebolim ou peteca. Quem sabe no grupo atual não dá para formar uma grande equipe de peteca?
Imagine a cena: Estádio Vitorino Gonçalves Dias lotado, 15 mil pessoas aplaudindo a equipe alviceleste de peteca disputando o clássico local com a Portuguesa Londrinense. Nas cabines de rádio, os locutores ainda patinando um pouco com os novos termos que precisam usar no novo esporte. Quantos jogadores precisam mesmo para jogar peteca? Quantos toques eles podem dar antes de mandar o objeto cheio de penas para o outro lado da rede? O escritor e narrador J. Matheus, já assimilando o promissor esporte, poderia iniciar um novo livro, quem sabe com o título ‘‘Do Caçula Gigante ao Tubarão Peteca, da Involução do Futebol para a Evolução da Peteca’’.
Até o início do Campeonato Brasileiro serão dois meses para montar um time de futebol no país do futebol. Uma equipe pode até ter como seu segundo ou terceiro esporte a peteca, mas que jogue futebol, coisa que ainda não aconteceu nesta década. Se não der para colocar em campo um time que não envergonhe sua torcida, vamos dar viva à peteca e colocar um ponto final nesse esporte tão maluco onde 22 marmanjos ficam correndo de um lado para o outro atrás de uma bola.
- Ronaldinho Gaúcho e Denilson tratam a bola com tanto carinho, carinho este retribuído por ela, que deveriam prestar assessoria sobre o assunto. Quem sabe vir ao Paraná dar um workshop.
- Se nos gramados é só vexame, nas quadras o Londrina Futsal é só alegria.
- Segunda-feira, faixas carimbadas, corintianos no mais absoluto e resignado silêncio.

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