NA GERAL
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quinta-feira, 09 de maio de 2002
Cláudio Osti 
Simon, o camisa 12
O empresário e senador cassado Luiz Estevão acordou na manhã de ontem com uma sensação estranha para ele. Não era ressaca já que uísque 18 anos não provoca esse dissabor. A sensação era outra. Foi a mesma sensação que milhões de brasileiros sentiram ao ficar sabendo do superfaturamento na obra do Tribunal Regional do Trabalho, de São Paulo. Desta obra o juiz Lalau e Luiz Estevão são acusados de desviar perto de R$ 145 milhões.
É isso. Luiz Estevão, dono do time do Brasiliense, se sentiu roubado, gatunado, subtraído. Tudo por causa de uma partida de futebol.
Na noite anterior, na tribuna de honra do Estádio do Morumbi, ele havia percebido que o juiz em campo na partida entre o seu Brasiliense e o Corinthians não era o seu amigo Lalau, mas bem que poderia ser. Pior para ele.
Gil recebeu lançamento pela direita, deu um toco no zagueiro do Brasiliense, dominou a bola e passou para Deivid: gol do Corinthians. O mundo viu a falta escrachada do corintiano Gil. O árbitro Carlos Eugênio Simon, da Fifa, não viu. Só ele não viu. Minutos depois pênalti contra o Corinthians. Simon não viu. Isso no segundo tempo. No primeiro ele já havia parado uma jogada legítima que deixaria um atacante do Brasiliense na cara do gol.
Todo time de futebol, os mais populares principalmente, tem como seu 12º jogador a torcida. No caso do Corinthians a torcida é o 13º. A camisa do 12º parece ficar sempre nas mãos do árbitro. E como jogam esses árbitros. São decisivos, sempre em favor do alvinegro. Quarta-feira Simon Lalau jogou um bolão. Merecia até dividir o bicho, foto na sala de troféus, menção nos livros que registram a história do clube, carteirinha de sócio honorário da Gaviões da Fiel, tema do próximo Carnaval da escola Gaviões.
Na próxima partida Simon Lalau, vivendo ainda seu momento de glória alvinegra, não poderá atuar pelo Corinthians. Ele foi colocado na geladeira pela comissão de arbitragem. Os corintianos estão preocupados. Com a suspensão, quem será o camisa 12 do Timão?
- Eu não vi, mas dizem que, no intervalo da partida entre Corinthians e Brasiliense, Carlos Eugênio Simon trocou de camisa com Vampeta e no final do jogo deu volta olímpica.
- O Simon, que aparece em propagandas na televisão mostrando que usa gel nos cabelos, poucos por sinal, poderia agora ser contratado para uma outra publicidade, talvez o de óleo de peroba.
- O que ele fez aqui foi vergonhoso. Foram três lances capitais que decidiram a partida. Ele deveria ter vergonha na cara. É um pilantra e vagabundo. Deveria ter vergonha de apitar na Fifa. A declaração é do ilibado empresário e senador cassado Luiz Estevão sobre Simon.
Cláudio Osti - [email protected]


