O verbo peitar - enfrentar corajosamente um oponente - começa a ser usado exagerada e ridiculamente nos campos de futebol de Londrina. Seriam respingos da guerra entre judeus e palestinos? Não acredito. Para falar a verdade parece atitude do MSAPJRTC - Movimento dos Sem Argumentos Para Justificar a Ruindade do Time da Casa. Nos últimos jogos a cena praticamente se repete: termina o primeiro tempo da partida de futebol, a cartolagem entra em campo distribuindo impropérios para o árbitro, jogadores e comissão técnica do time adversário. E dá-lhe peitada. Se não dá na bola, vai no peito.
No domingo, um diretor da Portuguesa partiu para cima do árbitro Carlos Jack Magno que apitava a partida entre a Lusa e o Ponta Grossa. Foi dito de tudo, menos palavras amáveis. De nada resolveu a pressão. A partida terminou 3 a 1 para o visitante.
Quarta-feira, mais pressão. O árbitro Cleivaldo Bernardo, foi achincalhado pela diretoria do Londrina, com graves considerações a senhora mãe dele. Árbitro no Brasil é considerado culpado até que prove sua inocência.
Vamos supor que, no jogo de domingo, a Portuguesa tivesse goleando o Ponta Grossa ao final do primeiro tempo. Haveria pressão ao árbitro? Claro que não. E se o Londrina estivesse ganhando aí de uns 4 a 0 do União? Seus nobres cartolas iriam, como já disse, tecer considerações à mãe dele? É óbvio que não.
Não vamos aqui colocar debaixo do tapete os erros da arbitragem que, no Paraná, como em todo o Brasil, são gritantes. Porém, mais grave é a incompetência dos times e seus comandantes.
O time perdeu é culpa do árbitro. O atacante errou trezentos e cinquenta chutes a gol, é culpa do árbitro. O goleiro tomou um peru, a culpa, lógico, é do árbitro. O zagueiro fez gol contra, foi ele, o árbitro.
Traduzindo: vamos eliminar o árbitro das partidas e institucionalizar o intervalo da peitada. Dirigentes dos dois times se reúnem na linha que divide o campo e passam a dar peitadas uns nos outros. Aqueles que permanecerem em pé ao fim dos 15 minutos de intervalo vencem a partida. Como o Paraná é pródigo em dirigentes que gostam desse esporte, poderíamos criar o Campeonato Paranaense Varzeano de Peitadas.
- Se os clubes paranaenses reclamam da arbitragem no estado, o que dirá o São Paulo assaltado em São Januário. O juiz Luciano Augusto Almeida, de Brasília, anulou um gol legítimo do Tricolor alegando um impedimento que não houve; achou um pênalti para o Vasco quando, na verdade, a falta cometida pelo zagueiro Maldonado em Euller, foi fora da área, e bem fora da área.
- Outra cena para lamentar. Bilheterias do Estádio do Café sem energia porque os fios elétricos foram roubados. Bilheteiros usam caixa de sapato para guardar o dinheiro da arrecadação. É várzea - com todo respeito à varzea - ou não é.

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