NA GERAL
O narrador Alcir Ramos da Rádio Paiquerê de Londrina gritava até não mais poder: ''gol para casa cheia''. Fez isso duas vezes durante a partida em que o Londrina, finalmente, jogou bem e venceu com certa tranquilidade o Vila Nova (GO), no Estádio do Café, por 3 a 0. A primeira vez foi num belo chute do lateral Anderson, de fora da área, que foi parar no fundo do gol. Depois num cruzamento do meia Nem que encobriu o goleiro do Vila Nova.
Realmente, dois gols para casa cheia. Mas porque a casa estava vazia? O motivo é simples. Há muito tempo o Londrina não consegue empolgar sua torcida. A irregularidade do time tem sido crônica. Não dá para obrigar o torcedor a ir ao estádio. Ninguém vai ao cinema se o filme é ruim. Ninguém vai ao teatro se os comentários sobre a peça não agradam. A não ser, é claro, o grupo de fanáticos que está com o time independente de sua posição na tabela.
No futebol a situação é a mesma. O público paga para ver um bom espetáculo. Se esse espetáculo não acontece ele recua. Na quarta-feira a partida foi interessante. Mas ainda falta muito para que o torcedor volte a sair de casa. Os artistas da bola vão ter que continuar se esforçando, conseguindo bons resultados e provando que vale a pena separar o dinheiro do ingresso, da pipoca fria e da cerveja quente. Só assim a camisa, com cheiro de naftalina, guardada na gaveta, vai voltar para as ruas e, em seguida, para o estádio.
- A corda saiu do pescoço do técnico Freitas Nascimento, do Londrina. Mas, como dizem os jogadores de futebol, ''a vitória sobre o Vila Nova já é passado e temos que pensar no próximo adversário''. É exatamente isso. No futebol é preciso matar um leão por dia. Se o time voltar a dar vexame, a corda retorna para o pescoço e, com certeza, mais apertada.
- Romário está perdendo o respeito da torcida do Vasco da Gama. Ontem, numa atitude ridícula, fez gestos obscenos para os torcedores que já estão cansados de vê-lo na sombra sugando os companheiros. O espaço nos gramados para jogadores que não participam efetivamente das partidas está ficando cada vez menor.
- O Rubro-Negro paranaense está passando por um inferno astral. Mário Sérgio deixou uma grande batata quente para os dirigentes do Atlético. A acusação de que há jogadores exagerando nas noitadas pegou pesado. Alguém tinha que pagar o pato e sobrou para o meia Douglas. É difícil imaginar que jogadores são anjinhos que dormem cedo e acordam cedo. Balela. Jogador de futebol e noite tem uma afinidade que vai muito além do que é visto quando os refletores dos estádios ainda estão acesos. O problema é o exagero. Atleta que exagera, não corre, não joga e, como pudemos ver, derruba técnico.
- Quem conhece o barulhento e polêmico diretor da Portuguesa Londrinense, Amarildo Vieira, deve estar estranhando o silêncio dele. Deve estar preparando alguma. Afinal, a Portuguesa decidiu ficar em Londrina ou vai ingressar na vida de caixeiro viajante?





