Foi só ser demitido e o técnico Leão deixou de ser vilão para coitadinho. O treinador não é uma coisa nem outra. Não é vilão, mas não é nem um pouco coitadinho. Ao assumir a Seleção ele sabia de todos os problemas de convocação, de liberação de jogadores pelos clubes e da falta de tempo para treinamento. Não chegou ao prédio da CBF iludido. Vendo por este aspecto, não se pode dizer que ele não tenha responsabilidade. Tem sim. Tem porque se sujeitou às regras impostas pela Confederação da Baderna do Futebol. Sem tempo para treinar, como ficou provado mais uma vez, não é possível ter um mínimo de padrão de jogo. É duro ver jogadores entrando em campo, um olhando para a cara do outro e perguntando: ‘‘Você é o famoso quem mesmo?’’
Vamos a alguns exemplos. A gente pode até discordar do estilo do atacante Washington. Mas ele é goleador como ficou provado no último Paulistão, a competição regional mais acirrada do Brasil. Outro caso é o do volante Vágner que fez sucesso no São Paulo no ano passado e hoje é titular do Celta de Vigo. É lógico que se eles fazem sucesso em seus clubes têm algo a mostrar. É obvio também que no grupo que estava no Japão havia muitos medíocres. Mas, com tempo para treinamento, o time poderia escapar do vexame de perder para a Austrália na Copa das Confederações. Portanto, Leão também é responsável sim.
Por outro lado, o técnico é mais uma vítima do sistema adotado pela CBF onde impera a profusão de competições, negociatas entre os clubes e tudo o mais. Qualquer técnico que se preze, de qualquer país do mundo, certamente tem vontade de dirigir a Seleção Brasileira. Mas qualquer um deles terá dificuldade para dar um mínimo de padrão para a equipe enquanto o problema central não for resolvido. A indústria do caos favorece os mal-intencionados e a CBF sabe disso. Em meio ao tiroteio da CPI e denúncias de todo lado a entidade não deve estar interessada em ter uma conduta clara para o bem do futebol, muito pelo contrário.
- Gustavo Kuerten vai descansar por 15 dias. Podia ficar seis meses sem fazer nada que ninguém ia reclamar. Ele merece. É de longe o esportista brasileiro mais bem-sucedido dos últimos tempos. É bom saber que, apesar de tudo, o Brasil ainda consegue produzir atletas desse porte.
- Ainda bem que Guga não joga futebol, não depende da CBF...
- Torcedor e cronista esportivo ficam mal acostumados rapidinho. O Londrina, nos últimos anos, trocava o time inteiro a cada competição. Só se reunia dias antes de estrear. Este ano a equipe chegou com antecedência no primeiro semestre, fez até pré-temporada. Terminou o Paranaense e manteve o mesmo grupo para o Brasileiro. Coisa que há muito não se via. O time já está treinando para a estréia dia 8 de julho. E tá cheio de gente implicando que não vai dar tempo para uma boa preparação. Eh, memória curta!
- Campanha irrepreensível da Lusinha e, enfim, nenhuma confusão no Estádio da Vila Santa Terezinha. Parabéns.Sugestões para a coluna: [email protected]

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