NA GERAL
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quinta-feira, 10 de maio de 2001
Cláudio Osti 
Ontem vi umas imagens na televisão da apresentação da tabela do Campeonato Brasileiro deste ano. Entre os repórteres, o Ministro do Esporte Carlos Melles e outras autoridades, não sei se foi impressão minha, mas tive a sensação de ter visto, lá no fundo do auditório da CBF, a Velhinha de Taubaté. Posso estar enganado, já que a imagem foi rápida, mas que parecia parecia. Para quem não sabe, a Velhinha de Taubaté é uma personagem criada pelo escritor Luiz Fernando Veríssimo. Como muita gente no Brasil, ela é uma dessas pessoas que acreditam em tudo, não se sabe se por inocência ou por princípios.
Que princípios? Ora, os da honestidade. Todos são inocentes até que se prove o contrário. Não é isso que dizem os advogados, os juristas?
Olha, eu gostaria de ter a mesma postura da Velhinha de Taubaté, talvez até ser vizinho dela, já que ela deve ter muita história interessante para contar como mostram os deliciosos textos de Veríssimo. Mas não dá para acreditar.
O problema é que o currículo escolar de boa parte dos dirigentes do futebol brasileiro me impede de ser tão crédulo.
Ontem, por exemplo, foram denunciadas irregularidades na Federação Mineira, com transferências de dinheiro para contas laranja, transações fraudulentas de imóveis. As confusões na Federação do Rio de Janeiro são lendárias. No Paraná, o presidente da entidade, Onaireves Rolim de Moura, teve o mandato de deputado cassado pela Câmara Federal e chegou até ficar preso acusado de sonegação fiscal.
Ricardo Teixeira, presidente da entidade maior do futebol brasileiro, a CBF, gasta rios de dinheiro com advogados para se livrar de uma infinidade de acusações, muitas delas apontadas pela CPI do Futebol. Este mesmo Teixeira disse ontem que nunca mais haverá virada de mesa, que as regras serão cumpridas, que os quatro últimos colocados do Brasileiro vão cair para a Segunda Divisão e que os dois primeiros desta subirão para a elite.
À sua volta, jornalistas compenetrados escreviam tudo o que ele estava dizendo. Os jornalistas mais calejados soltavam risinhos disfarçados. Possivelmente por já terem visto a mesma peça várias vezes, sempre com o mesmo e triste final.
Os campeões da virada de mesa estavam lá, dizendo que nunca mais vão virar a mesa. Dá para acreditar nesses caras?
Tomara que pelo menos uma vez esses dirigentes não decepcionem a Velhinha de Taubaté.
- Os dois policiais que agrediram jogadores do Londrina, na partida contra o Francisco Beltrão, dia 25 de março, foram punidos por transgressão disciplinar. A PM não quis informar os nomes dos policiais.
- Ver o tal do Taddei, do Palmeiras, jogar, é um atentado contra o bom gosto.
- O Atlético vai pegar o Corinthians pela Copa do Brasil. É hora de mostrar se o time é realmente de chegada ou se só gosta mesmo é de empurrar bêbado em ladeira.
- Dirigentes do Londrina discutem se seria interessante disputar a Sul-Minas, enfrentando Cruzeiro, Atlético Mineiro, Grêmio e Internacional. É, não deve ser bom negócio. Estádio cheio, torcida vibrando, barulho, contratar bilheteiros, ter que varrer as arquibancadas depois do jogo... isso deve dar um trabalhão danado, melhor não.


