NA GERAL
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quinta-feira, 05 de abril de 2001
Cláudio Osti 
45 anos. Idade da maturidade. É por esta época que o ser humano costuma fazer um balanço da sua vida, o que valeu a pena, o que não valeu. O amadurecimento tem suas vantagens. Sem a intempestividade da juventude é mais fácil analisar e aceitar os erros cometidos no passado e planejar o futuro com a experiência de quem já tomou muita pancada na vida e sabe como seguir em frente, agora, com os pés no chão.
O discurso sóbrio do presidente do Londrina, Agostinho Miguel Garrote, mostra que o Tubarão, que completou ontem 45 anos, está passando por esta fase de transição. Está deixando a fase do oba-oba irresponsável dos últimos anos para um período de trabalho planejado, sem o ufanismo de outrora, mas com grandes possibilidades de crescimento a longo prazo.
Como uma empresa deve fazer, o Londrina está primeiro arrumando o chão da fábrica, preparando novos jogadores, buscando parcerias e recursos para depois colocar ar condicionado na sala do presidente.
É óbvio que esse período de transição não é fácil. Quem dirige o clube tem que ter a visão e a responsabilidade do empresário, comandar o empreendimento com a cabeça e não com o coração. É o melhor caminho para não fazer besteira.
Ver o time com os olhos do coração é para o torcedor que vai ao estádio, que grita, que chora, se emociona, xinga, dá gargalhadas, ingressa num mundo mágico onde em 90 minutos a vida transita em golpes de euforia e frustração ou vice-versa. Depois do apito final, sair do estádio soltando rojões ou com a bandeira arriada para, na semana seguinte, voltar ao mesmo local com as esperanças renovadas para mais 90 minutos de emoção.
Para quem acompanha a vida do Londrina a diferença já é visível. Estamos em abril e neste ano ainda não se falou em crise, greve de jogadores, encrenca com salários. O clube fechou patrocínios para atendimento médico dos jogadores e até para a festa de aniversário que será realizada no domingo, antes da partida contra o Rio Branco no Estádio do Café.
No time profissional os pratas da casa começam a ganhar seu espaço e, pela primeira vez em muitos anos, parece que a equipe terá uma base para a disputa do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão. Parece pouco, mas não é. De 96 para cá o torcedor se habituou a não conhecer os jogadores que estavam em campo. Não é para menos. Neste período vestiram a camisa do Londrina mais de 100 jogadores. Nem o Tatinha, repórter que cobre o Tubarão desde que ele foi fundado, e tem uma bela memória, conseguiria lembrar de todos os que passaram pelo time. Problemas existem e não são poucos. Há dívidas que precisam ser sanadas. Mas até elas, mesmo que a passo de tartaruga, vem sendo pagas. O futuro pode reservar boas surpresas.
- O jogador Vágner, do Celta de Vigo, que tem familiares em Londrina, está sendo sondado para ser naturalizado espanhol.
- Essa é de um torcedor do Londrina incomodado com a derrota para o Prudentópolis: O Tubarão parece o viagra com efeito contrário. Te deixa motivado, te enche de tesão e quando você vai na transa certa, que não tem como errar, brocha.
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