Altitude ou atitude? É certo que a altitude afeta o desempenho de qualquer atleta. A questão é explicada pelo ar rarefeito, a garganta seca, falta oxigênio. Agora, o que se viu em Quito, na tarde de quarta-feira, com a Seleção Brasileira não foi problema exatamente da altitude. Faltou mesmo é atitude. A atitude de entrar em campo e jogar como um time tetracampeão, que mesmo sem o entrosamento ideal, tem jogadores que estão entre os melhores do mundo.
Talvez o problema seja o excesso de mimo para com os jogadores que vestem a camisa amarela. Todos eles, consagrados em seus clubes, adorados pelas torcidas, paparicados pelos cartolas. Mas quando estão na Seleção, momento para mostrar porque merecem (se merecem) este tratamento, muitos deixam de jogar o que sabem para tentar o que não sabem.
Ou teria outra explicação para a atuação modorrenta, sem criatividade e sem vontade. Como bons guias turísticos, os equatorianos deram um passeio nos brasileiros. Se eles não têm um bom futebol, vistoso, de qualidade, têm garra e vontade de vencer de sobra.
O técnico Leão resolveu assumir toda a responsabilidade. Nobre da parte dele. Mas não dá para aceitar que jogadores como Romário, Rivaldo, Roque Júnior, Rogério Ceni, que são líderes em seus times, sejam os bananas da Seleção. Atletas que deveriam mexer com os companheiros, assumir a responsabilidade de empurrar o time fiquem como vacas de presépio. Falta atitude dentro de campo. Liderança. É de doer o estômago, mas dá saudade do Dunga.
Voltando para a terrinha é de elogiar o que o técnico do Londrina, Freitas Nascimento, fez na noite de quarta-feira. No primeiro tempo da partida contra o União Bandeirante, o Tubarão mais parecia uma sardinha atordoada em mar revolto. O União envolveu o adversário e só não terminou os primeiros 45 minutos com dois ou três gols por falta de mira e tranquilidade de seus atacantes que desperdiçaram inúmeras oportunidades.
O que fez o experiente Nascimento? Trancou os jogadores do Londrina no vestiário e passou uma descompostura que dava para ser ouvida a quilômetros de distância. As paredes tremiam. Ele não aceitava a falta de atitude de seus comandados que perderam todas as bolas divididas na primeira etapa do jogo. No popular, ele mexeu com os brios dos atletas.
O time entrou no segundo tempo voando baixo. O União, assustado, se perdeu em campo e a vitória do Tubarão acabou acontecendo de forma tranquila, sem sobressaltos.
- Quem também anda precisando de uma descompostura é o Coritiba. Está na hora dos jogadores justificarem o salário que ganham no fim do mês.
- E o Aléssio, do Malutrom? Participou praticamente de todas as jogadas de gol na goleada contra o Iraty. Quem aguenta o baixinho agora!
- Eu confesso que não sabia, mas um torcedor disse, dias atrás que o maior estádio do mundo não é mais o Maracanã e sim a Vila Belmiro. A explicação: ‘‘Faz 16 anos que os jogadores do Santos estão tentando dar a volta olímpica e ainda não conseguiram.’’
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