Braços cruzados. Rosto sem demonstrar emoções. O homem à beira do gramado, no pequeno retângulo destinado ao professor, olha e não acredita. O time, o seu time, está perdendo por 2 a 1 para a Turquia. Não para a França ou Alemanha, mas para a Turquia, num campeonato que tem ''feras'' como Camarões, Japão, Nova Zelândia e Estados Unidos. Faltam menos de cinco minutos. Ele ainda parece ter esperança. Pouca esperança é verdade, mas ele parece ser um homem de fé. Os minutos passam, seu time, aquele de camisa amarela, precisa vencer. Precisa fazer dois gols. Alex, o melhor jogador em atividade no Brasil, recebe a bola, bate e empata o jogo. Logo o Alex que ficou esquentando o banco aguentando quieto a teimosia do professor até ter chance de entrar já na metade do segundo tempo.
O árbitro apita o final da partida. Brasil desclassificado. É a primeira vez desde 1966 que o time não saía já na primeira fase de uma competição oficial.
Cadeiras arrumadas, microfones a postos, repórteres sedentos. Começa a crucificação, quer dizer, a entrevista coletiva.
- Professor Parreira, como o senhor explica a saída prematura da seleção da Copa das Confederações? Questiona o primeiro repórter.
- Veja bem, diz Parreira, é uma competição muito competitiva, cheia de competentes competidores que competem entre si para ver quem é o mais competente. Neste caso, dentro da nossa competência posso dizer que houve certa incompetência.
- O senhor está querendo dizer que o time foi incompetente?
- Veja bem, não foi bem isso que eu quis dizer. O que eu quis dizer como já havia tentando antes é que houve uma uma confluência numerológica que mudou o sentido e a trajetória da programação programada. Os números das camisas, somados com o endereço do estádio, dividido pelo tempo de jogo, não deu o resultado previsto. Aliado a isso, o adversário fez dois gols enquanto nós também fizemos dois, portanto um empate. Sendo assim, uma não vitória.
- Professor, desculpe, ainda não compreendi porque, na sua opinião, o time está retornando para casa.
Olhe, para não dizer veja bem, tudo o que sobe um dia tem que descer; quem entrou uma hora sai; quem ficou sente saudades; há uma carência afetiva, você entende...
á E o Ronaldinho, o craque do time, o que o senhor achou dele?á
Veja bem, o Ronaldinho jogou muito, fez dois gols contra o Atlético de Bilbao, conquistou o campeonato Espanhol, ao lado de Roberto Carlos que também fez gol. Ronaldinho está jogando muito.
- Não esse Ronaldinho, Parreira, o Gaúcho.
Ah o Gaúcho. Olhe, não posso falar sobre gaúcho que o meu amigo Felipão pode ficar bronqueado e já viu né, emprego na seleção é complicado, tem fatores e produtos que alteram o rumo da nação portanto a coletiva está encerrada.
Parreira, Parreira, só mais uma pergunta, por favor: o quê você vai dizer lá na sua casa?
O professor, limpa a garganta, e relembra aquela do Roberto: ''Eu voltei, voltei para ficar, porque aqui, aqui é meu lugar. Eu volteei...''

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