NA GERAL - Na fila da fome
Outubro, novembro e dezembro. Três meses, 90 dias. Quem já ficou desempregado por três meses sabe onde o calo aperta. As contas vencem, o dinheiro para o mercado fica mais curto, o credor cobra, a patroa fica com dor de cabeça toda noite.
A fórmula da Série B do Campeonato Brasileiro prevê que dos 24 clubes que começaram a disputa, oito poderiam se classificar. Foram para a fase seguinte os menos incompetentes. A fórmula usada para a competição transforma os atletas que atuam nesses clubes da Segundona em bóias frias do futebol. Trabalham apenas em períodos sazonais, como se fossem contratados apenas para a colheita do algodão ou da cana-de-açúcar. Desde a última semana, os clubes que fazem parte do grupo dos sem-calendário passaram a demitir. A maioria dos jogadores dos 16 clubes da Série B que não se classificaram estão desempregados. Uns poucos mais sortudos conseguiram manter-se nos times aceitando substancial redução de salário.
Não há muito o que fazer, é uma questão de mercado. Não há demanda, portanto, não há produção. A demanda só reaquece em janeiro quando começam os estaduais. Mas, até lá, são três meses de desemprego. Se você levar em conta todas as pessoas que trabalham com futebol, de técnicos a roupeiros, de vendedores de churrasquinho de gato a pipoqueiros, pode-se dizer que uma pequena multidão ou está desempregada ou então teve seus ganhos reduzidos.
E tem gente que defende o fim dos campeonatos com pontos corridos, que dão calendário o ano todo, emprego, comida em cima da mesa, aspirina para a dor de cabeça da patroa.
Além da questão econômica, que é a que mais preocupa quem está desempregado, para o torcedor o campeonato por pontos corridos tem uma vantagem ímpar: é a única fórmula que realmente entrega a taça de campeão ao melhor time da competição.
O Brasil já teve campeonatos com os mais esdrúxulos regulamentos. Teve campeonatos onde times que disputaram repescagem entravam na fase final da divisão principal; cruzamento de módulos verde, amarelo e azul misturando divisões de forma inexplicável; mata-matas onde uma simples derrota destrói o planejamento de um ano todo.
Aí, quando finalmente se tem um campeonato com um regulamento mais justo, tem Global que é contra.
- Finalmente, com a contratação de Rivellino e Júnior, os corintianos não vão mais reclamar que faltam craques no time. Se os dois fizerem uma dieta e um condicionamento físico e entrarem em campo, com certeza, vão melhorar a qualidade da equipe. Já fora das quatro linhas, é uma incógnita.
- A alegria do time do Londrina ao vencer, nos pênaltis, o Grêmio Maringá, no Estádio Vitorino Gonçalves Dias, pela Copa Sesquicentenário, foi comovente. É comovente saber que eles se contentam com tão pouco.





