NA GERAL - Jogo da forca
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quinta-feira, 12 de setembro de 2002
Cláudio Osti - [email protected] 
Lembra daquela brincadeira de criança, o jogo da forca? Você pensa numa palavra e o adversário tem que advinhá-la falando letra por letra. Se errar vai para a forca. Vida de treinador de futebol parece muito com o joguinho. É um exercício de advinhação. A diferença é que, ao contrário da brincadeira em que é um boneco desenhado que vai para a forca, é a cabeça do próprio que fica exposto à corda.
Ele passa a semana ensaiando jogadas, observando o desempenho dos atletas nos treinos, põe as informações na prancheta, sonha com a escalação ideal.
Quando o jogo começa, os miolos fervem. O craque da partida anterior vira a baba da atual. O goleiro que fechou o gol na Copa, se transforma no mais vazado da competição. O artilheiro que veio cheio de recomendações, fica oito jogos sem marcar um mísero gol. Para piorar ainda mais, o adversário sempre o adversário não entende o papel dele em campo, mostrado exaustivamente na prancheta do técnico, que é o de perder e insiste em querer ganhar.
Para o treinador, é ou não um exercício de advinhação?
Vejamos alguns exemplos da última rodada. O Atlético Paranaense, do técnico Valdir Espinosa, foi ao Maracanã como franco favorito para enfrentar o Flamengo, um dos sacos de pancada do Brasileirão. Foi derrotado sem piedade. O Santos do técnico Leão entrou no Couto Pereira e em poucos minutos fez 2 a 0 no Coritiba. Tudo parecia tranquilo. Esqueceram de avisar os comandados de Paulo Bonamigo que viraram o jogo e mandaram os meninos do Santos trocar as fraudas.
O técnico do Londrina Ivair Cenci foi a Piracicaba na famosa condição de prestigiado traduzindo: com a corda no pescoço. Dias antes, depois do empate em casa com a Anapolina, colocara o cargo à disposição. Contra o XV deu tudo errado e acabou dando certo.
O campo parecia terreiro de fazenda; ninguém, absolutamente ninguém havia chutado ao gol até os 33 minutos de partida; o sistema de irrigação do gramado ligou sozinho parando o jogo; o árbitro estava mais perdido que juiz da segunda divisão e deu um pênalti daqueles que só é marcado contra o Tubarão; quando tudo parecia perdido eis que, aos 53 minutos do segundo tempo, isso mesmo, 53 minutos do segundo tempo sai o gol milagroso. Vitória do Londrina por 2 a 1.
Tudo perfeitamente dentro dos planos porque, veja bem, quando eu coloquei fulano eu já previa que a bola ia desviar nas costas de beltrano e entrar no gol. Tava na prancheta. O pescoço saiu da forca.
- Alguém precisa informar para alguns jogadores do Londrina que o jogo da última rodada foi em Piracicaba e não em XV, como falaram em entrevistas depois da suada vitória. O nome do time adversário é XV de Novembro de Piracicaba. Só para lembrar: a próxima partida será em Bragança Paulista, não em Bragantino.


