NA GERAL - Já para cama menino!!!!
Sabe aqueles filmes Z que só passam na TV depois das 2 da madrugada? Aqueles proibidos para menores de 18 anos e que o crítico de cinema aqui da Folha, o Carlos Eduardo Lourenço Jorge, até assiste (mas nega) (e nega de novo) e se recusa a fazer crítica? Aqueles que, nas cenas mais tórridas, a mulher fica gritando Yes! Yes! Yes! Yes! - e o tom da voz subindo, subindo... até que..., bem o filho entra na sala com cara de sono e pergunta:
- Paiêê, posso assistir TV com você, estou sem sono?
- Já para cama menino...
Como dizia não sei quem, falando exatamente sobre não sei o quê: tudo o que sobe, desce.
Pois domingo no Estádio do Café, em Londrina, parecia a mesma coisa. No começo do ano o time andava meio brigado com a torcida. Empate aqui, derrota ali, parecia nada dar certo.
O roteiro do filme começou a mudar quando o time arrumou um novo conselheiro sentimental. Uma ajeitadinha aqui, uma brilhantina no cabelo, uma água de cheiro, uma lábia mais afinada, uma vitória, flores no dia seguinte e o Londrina voltou a se enamorar da torcida que olhava o moço lá com uma certa desconfiança.
Domingo o grande dia. Como diria o filósofo dos quadrinhos, Cláudio Yuge, um atacante incompreendido pela bola, era chegada a hora de desossar a coxa, ou o Coxa.
Estádio do Café com mais de 7 mil pessoas, galera festejando, apoiando. O Londrina estava fazendo tudo certo contra o Coritiba. Abriu a porta do carro, levou para jantar, luz de velas, mãos roçadas sobre a mesa, ela disse sim. Um a zero. Ela aceitou ouvir coleção de discos da Mercedes Sosa (quer dizer, Sandy & Júnior? Não, não, a revelação Maria Rita, que é mais atual, é mais in).
Um drinque para relaxar, DVD ligado... roupas espalhadas pelo chão. Quando começa a fase do Yes! Yes! Yes! Yes! (ou, para os puristas que não admitem modismos estrangeiros: Sim! Sim! Sim!)...
Um gol perdido. Yes! Yes! Yes!... Dois gols perdidos. Yes! Yes! Yes!... Clima esquentando, suor escorrendo no rosto, é a hora da chegada, 42 minutos do segundo tempo, o jogo está ganho.
Foi aí que o garotão Tuta, dormindo em campo até então, entra na sala e, de cabeça, pergunta se pode assistir o filme. Um a um.
- Vai para cama menino!!!
Não adianta mais. Empate. Ninguém ganhou. Final inesperado, brochante.
Mas, apesar de tudo, todo mundo um dia falha (alguns falham mais que outros, mas não vem ao caso no momento), o desempenho agradou e sempre tem um novo filme, uma nova oportunidade, uma outra boca para beijar.
- Corintiano que se preze é tricolor de coração.
- Da série filosofia dos perdedores: ''Até um pé na bunda leva a gente para frente''. Frase do goleiro Rubinho, do Corinthians, no fundo do poço, sem saber o que dizer depois da derrota para a Portuguesa Santista, e acreditando que, depois de tudo isso, agora vai.
Cláudio Osti - [email protected]





