NA GERAL - Homens que se doam pelo futebol
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de setembro de 2002
Cláudio Osti - [email protected] 
Eduardo José Farah foi reeleito presidente da Federação Paulista de Futebol. O mandato termina em 2006. Disse que sua família não queria que ele concorresse mais uma vez, mas que, devido ao carinho dos dirigentes de clubes, não encontrou outra alternativa a não ser aceitar mais uma vez carregar essa cruz. Houve quem vertesse lágrimas de emoção. Muito justo. Afinal, não se vê tamanho despreendimento em homens públicos. Farah é uma exceção.
No Paraná, Onaireves Rolim de Moura articula sua reeleição. É outro homem que não pensa em si próprio, apenas no bem comum. Moura teve o mandato de deputado federal cassado acusado de ''comprar parlamentares'' para entrar no partido o qual dirigia. Também esteve preso em Curitiba devido a uma dívida com o fisco. Deve estar arrependido desses maus momentos. É um novo homem. Por isso não mede esforços para continuar à frente do futebol paranaense. Quer provar que se redimiu. E, como não poderia deixar de ser, os dirigentes dos clubes paranaenses, todos homens de bom coração, tementes ao poder Superior, acreditam. Seria hipnotismo?
Se fosse, um estalar de dedos resolveria, mas não é o caso.
A verdade é que deve ser muito bom ser presidente de Federação de Futebol, já que ninguém quer largar o osso.
O mais curioso é que entra ano e sai ano, os presidentes de clubes reclamam que as federações não dão apoio, que apenas sugam os poucos recursos que conseguem angariar. Tudo jogo de cena. Ao primeiro chamado do mandatário correm para beijar a mão, prestar solidariedade, confirmar apoio.
Passado esse momento de transe e insensatez, voltam a reclamar que o futebol é deficitário, que as decisões do cartola-mor não beneficiam os clubes pequenos. Que é a TV que determina de regulamento a horário dos jogos.
Dizem que cada povo tem o dirigente que merece. Porém, sinceramente, o torcedor não tem os dirigentes que merecem.
- A torcida atleticana gritou, a diretoria do Rubro-Negro ouviu e demitiu o técnico Valdir Espinosa. A torcida alviceleste grita, esperneia, e os cartolas do Londrina fingem-se de surdos. Ah, que falta faz um cotonete.
- Não se pode negar que o Londrina é um time que tem jogadores que se doam em campo. Foram tantas as doações que já está sendo chamado de casa de caridade.
- Quando o mar está revolto, qualquer tábua serve de salva-vida. O Palmeiras conquistou um ponto contra o Santos e os jogadores já estão vislumbrando um novo tempo.
- Marcos voltou a ser o São Marcos. O Palmeiras insiste em não ser o Palmeiras. Há uma incompatibilidade de metas no Verdão.


