NA GERAL - Fenômeno que virou mercenário
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quinta-feira, 08 de agosto de 2002
Cláudio Osti - [email protected] 
De fenômeno a mercerário. Fenômeno é algo fora do normal. Uma palavra que foi agregada ao nome do jogador Ronaldo, da Inter, pelo futebol fora de série que ele apresentou em várias temporadas, em duas delas sendo considerado o melhor do mundo. Já a palavra mercenário significa trabalhar apenas pelo dinheiro sem qualquer outro interesse. É também uma palavra que passa agora a figurar no vocabulário de Ronaldo.
Vendido pelo Barcelona a Inter de Milão, o jogador machucou-se e ficou dois anos sem poder atuar. Neste período consta que o atleta recebeu seus salários integralmente. Recuperado, foi para a Copa, teve uma grande atuação. Terminada a festa, os torcedores da Inter, com toda razão, esperavam o retorno do Fenômeno para, quem sabe, depois de tanto tempo apoiando o atleta, dar títulos à equipe. Mas, quem retornou não foi o Fenômeno, foi o Mercenário. Aproveitando o bom momento, Ronaldo tentou uma transferência para o Real Madrid que acabou não sendo concretizada. Uma transação que iria abarrotar ainda mais o cofrinho do jogador. É lógico que os torcedores italianos se sentiram traídos.
Por mais marketing que se use em alguns atletas para conquistar a simpatia do público e vender mais produtos, fica sempre claro que não há virgens no bordel do futebol. Como diz o filósofo Alberto Macedo: ''Ninguém é de ninguém''. A cor do dinheiro vale muito mais que a cor da camisa.
Exemplos são muitos: Luizão deu um tombo no Grêmio. Ronaldinho Gaúcho também fez o mesmo.
E isso acontece não apenas na faixa salarial medida em milhões de dólares. A regra, não a exceção, é rasgar contratos, acordos. Aqui na terrinha o volante Tião, por exemplo, hoje atuando no Iraty, fez um acordo para disputar o Brasileiro da Série B pelo Londrina. O tal acordo foi literalmente mandado para escanteio e ele não disputará a competição com a camisa alviceleste.
Não são apenas os jogadores que costumam fazer isso. A prática é comum também em clubes. O Flamengo cansou de atrasar salários, comprar jogador e não pagar. O Vasco da Gama também tem por hábito atrasar salários. Mês com 30 dias é uma das coisas mais raras no futebol brasileiro.
Voltemos ao Tião. Ele foi um dos que sofreram com atraso de salário no próprio Londrina quando atuava pelo clube, talvez isso tenha pesado em sua decisão de escantear o acordo.
Sem a pretensão de fazer julgamentos, o certo é que nenhum homem do futebol conseguiria ser canonizado pelo Papa, nem com muita reza dos fiéis.
- Malutrom deixa a Série B do Campeonato Brasileiro por um motivo até justo: a competição é cara e a possibilidade de prejuízo é enorme. Traduzindo: o time-empresa quer o filé mignon, não aceita participar do banquete que só tem carne de pescoço.


