NA GERAL - Fantasmas da zona atormentam o VGD
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terça-feira, 03 de dezembro de 2002
Cláudio Osti - [email protected] 
É interessante como o sentido das palavras ganha variações com o tempo, enriquecendo cada vez mais o nosso já vasto vocabulário.
Uma palavra que praticamente perdeu sua definição original é zona. Há 40 e poucos anos, em Londrina a palavra zona só era ouvida nas conversas dos boêmios, dos frequentadores da noite. A região da Vila Matos, onde está hoje o estádio Vitorino Gonçalves Dias, sede do Londrina Esporte Clube, era a zona da cidade. A zona do meretrício. Lá os aventureiros, boêmios e demais festeiros iam em busca de momentos de prazer nas famosas casas da Laura, Diana e da Selma. Todas empresárias do corpo. Dizem os antigos frequentadores que esses lugares eram verdadeiros redutos de beldades vindas dos grandes centros do País. Todas querendo fazer um pé de meia-calça com o dinheiro dos barões do café.
Ainda hoje há suspiros de saudade. As zonas, porém, mudaram. Viraram casas de massagem for man, boates e outros codinomes, sem qualquer charme, para homens e mulheres que vão em busca do que sempre se buscou em todos os tempos.
O significado da palavra zona ganhou nova roupagem. Hoje ela é sinônimo de bagunça, confusão. Quando gritam ''Aquilo lá tá uma zona'', todos entendem.
A região do VGD também se adaptou aos novos tempos. Deixou de ser aquela zona e transformou-se na atual zona. Antes que alguém reclame, é uma zona no sentido atual, como já explicamos, de bagunça, confusão.
As últimas notícias sobre o inquilino do VGD mostram isso. Está uma zona. Em alguns aspectos até se poderia dizer que uma zona se confunde com a outra. Antes jovens apaixonados brigavam pelas mariposas da noite. Hoje homens maduros, também apaixonados, brigam pelo Londrina. Como nos velhos tempos há denúncias de traições, de encontros mal resolvidos, de amor não correspondido.
Não sei se são os maus fluídos da Vila Matos, os fantasmas dos rufiões, antigos e modernos, mas é certo que não há paz no VGD.
O Londrina parece mulher da vida. Muitos querem seu carinho, mas poucos a querem levar para o altar de véu branco e grinalda.
- Nada mais incômodo e dolorido do que uma espinha de peixe grudada na garganta. Gremistas e são-paulinos que o digam.
- Corinthians que se cuide. Romário está mais vivo do que nunca.
- O diretor de futebol da Portuguesa Londrinense, Amarildo Vieira, deveria ser convidado para fazer parte de um quadro fixo no programa Esporte com Cabral, na CNT, aos domingos à noite. Os debates entre Vieira e o apresentador Rubens Fernando Cabral são divertidíssimos. Sobram alfinetadas e ironias.


