O futebol brasileiro é uma máquina de moer. E uma das principais vítimas é o técnico. Quando o time não vai bem, o primeiro a ter a cabeça cortada é o treinador. A decisão independe se ele teve tempo para trabalhar, se o grupo é bom, se os salários estão pagos e outras variáveis.
Ontem, no campeonato Brasileiro, a primeira cabeça rolou para manter a escrita. Foi a de Paulo César Carpegiani, do Cruzeiro. Demitido depois da segunda rodada da competição. Sai conformado. Não triste. Afinal não dá para ficar triste com as indenizações milionárias previstas nos contratos. Que dúvida cruel.
O fato é que o futebol é movido pelo coração e pelo bolso e não pela razão. Carpegiani, que já foi campeão do mundo dirigindo o Flamengo e fez sucesso na seleção do Paraguai, vem levando bordoadas nos últimos anos. Passou pelo Atlético Paranaense, São Paulo, Flamengo e agora o Cruzeiro sem sucesso. Ele já provou que é um bom técnico. Tinha nas mãos uma equipe de qualidade - nomes consagrados como Rincón, Cris, Edmundo, Oséas. Então o que não deu certo? Possivelmente a impaciência da torcida e dos dirigentes cruzeirenses. Ou seria incompatibilidade de gênios?
Para o lugar dele foi anunciado ontem Ivo Wortmann, do Coritiba, que vinha fazendo um trabalho a longo prazo no clube paranaense. Desde que chegou ao Paraná, vindo dos Estados Unidos, há quase um ano, Wortmann implantou um padrão de jogo ao Coxa, coisa que fazia muito tempo o time não tinha, e colhendo alguns bons resultados. Não ganhou qualquer título, mas conquistou o respeito da torcida.
Wortmann segue o mesmo caminho que seguiu Osvaldo Alvarez, o Vadão, que deixou o Atlético Paranaense para dirigir o Corinthians. Vadão quebrou a cara. Foi para o São Paulo e também não se deu bem. Será que Wortmann tem cacife para dirigir o Cruzeiro de Rincón e Edmundo? Acredito que não, pelo menos por enquanto. Mas isso nós confirmar ou não dentro de algumas rodadas.
Agora o que impressiona é a facilidade com que se rompem contratos no futebol. É desperdício de tinta e papel. O Cruzeiro rasgou o contrato com Carpegiani. Wortmann fez o mesmo com o Coritiba. Se fosse numa situação normal isso provocaria uma briga judicial sem tamanho. No futebol fica por isso mesmo.
- De um torcedor do Corinthians defendendo a permanência de Marcelinho Carioca: ‘‘Se ele for enrolado com todas as faixas de campeão que ganhou no Corinthians, iria parecer uma múmia’’.
- Quando todo mundo começa a concordar que a época de Romário na Seleção acabou, ele entra em campo e faz quatro gols. O baixinho parece que faz de pirraça.
- A continuar assim, o meia Nem, do Londrina, vai ter problemas de coluna, de tanto carregar o ataque do Tubarão nas costas.
- Será que desta vez começa o Brasileiro da Segunda Divisão?
- Rogério Ceni não foi reintegrado ao elenco do São Paulo. Parece que a direção do clube não quer deixar que a bandalheira continue no tricolor. Deve temer o que ocorre nos seus adversários onde cada um faz o que dá na telha.

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