NA GERAL - Carteirada no Londrina
Fila nas catracas de acesso ao Estádio do Café, em Londrina.
O funcionário que recebe os ingressos pergunta ao torcedor que encosta na catraca mostrando uma carteirinha para entrar de graça: - Carteira de quê?
- Ora, sou protético de defunto... - diz o torcedor.
O bilheteiro olha de rabo de olho e diz:
- Entra.
Vem outro torcedor e dá mais uma carteirada
- E o senhor?
- Sou assistente de assistente. Aquele que assiste aos jogos do Londrina, entende?
O bilheteiro confere a carteira do assistente e sentencia mesmo sem entender: - Entra.
A fila anda sem parar.
Nas outras filas os torcedores comuns, os sem-carteira, que pagam ingresso, acompanham com curiosidade o movimento dos com-carteira.
No domingo, no jogo entre Londrina e União São João, havia 4 mil pessoas no Estádio do Café, segundo anunciou o sistema de som da praça esportiva. Nada menos do que 900 entraram de graça. Isso significa quase 23% do público.
É lógico que muitos que entraram sem pagar estavam ali a trabalho, como alguns profissionais de imprensa, técnicos, etc. Numa conta razoável, digamos que 200 profissionais estavam a trabalho, portanto 700 entraram sem pagar.
É muita gente. Imaginemos uma conta usando como parâmetro o ingresso a R$ 7,00 que o torcedor compra com o bônus oferecido pela Folha. 700 ingressos significam R$ 4.900,00 a menos no caixa.
Se a conta for baseada nos R$ 15,00 cobrados na bilheteria do estádio, o valor não arrecadado salta para R$ 10.500,00. Dá para comprar um carro de mil cilindradas seminovo; 8 mil cachorros-quentese colaborar com o Fome Zero do presidente Lula; fazer compra arrasa-quarteirão nas lojinhas de R$ 1,99; morrer afogado, ou de cirrose, de tanto tomar cerveja; e até, quem sabe, pagar o salário de parte do elenco do time.
Se dá para fazer tanta coisa, tipo reduzir o prejuízo dos jogos, por quê os recolhedores de bilhete não são orientados a recusar a carteirada?
Ninguém entra no cinema de graça; ninguém entra em teatro de graça; nem em casa de massagem se entra de graça. Por quê no estádio a carteirada vale sem constrangimento?
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O atacante Anderson Lobão, do Londrina, não foi o ponto de referência no jogo de domingo. Esteve mais para falta de referência.
- Nas copas do mundo não é permitido que a imprensa fique no gramado durante a partida. Talvez os homens da Fifa tenham tomado essa providência depois de assistir a algum jogo em Londrina. Domingo, mais uma vez, dois membros da imprensa tentaram pressionar o árbitro da partida. A cena foi deprimente. Belo exemplo vindo daqueles que vivem a pedindo pelo fim da violência nos estádios. Os dois foram convidados, pela Polícia Militar, a se retirar do gramado.
- No Corinthians faltou elã. No Atlético Paranaense sobrou Ilan.
Cláudio Osti - [email protected]





